A montanha das culpas às costas

A gente do PS é exímia em atirar cascas de bananas para depois escorrer. Não sei porque os outros partidos se preocupam tanto em guerrear com quem tem maioria absoluta porque os portugueses assim quiseram. Pensam que os derrubam na Assembleia da República? Julgam que o Presidente dissolve o Parlamento? Acreditam que conseguem aprovar moções de censura? São todos os ingénuos impacientes. Talvez seja mais eficaz dar tempo ao tempo, que um dia destes as escorregadelas talvez provoquem doença grave.

Desta vez talvez nem tenha sido o caso. Talvez nem tenha havido cascas de banana no caminho. Ou, melhor dizendo, talvez as cascas tenham lá estado, mas alguém tenha apontado o dedo dizendo: “Cuidado que elas estão aí. Isto tem de ser assim para parecer que vais escorregar”.

Eu sei que não houve quem interpretasse assim e também sei que não consigo apresentar um fundamento forte. Mas pensem um pouco comigo. A decisão apresentada pelo ministro não podia deixar de ter o acordo de António Costa. Mas nos projetos das obras no Montijo parece já haver concurso ganho e a empresa estava a ser preterida em favor de um instituto português. Este e muitos mais interesses devem estar em jogo. O Primeiro-Ministro estava na cimeira da NATO. Claro que as pressões devem ter sido muitas. O Presidente também deve ter dado uma ajuda substancial para o ministro carregar a montanha das culpas. Claro que todos eles sabem que as coisas tinham de se passar assim, mas coitado do Pedro Nuno que tem de carregar com o fardo da incompetência.  

Mas, um dia destes, muito antes de ser tempo de algum deles escrever as memórias, haverá quem conte como se passou esta história. E eu quero saber.

Imagem: Agência Lusa

“Ora agora vota não ora agora vota sim”

Pontos de vista

Eles defendem acerrimamente a extensão do aeroporto Humberto Delgado no Montijo. Enquanto os especialistas em temas ambientais e os políticos que não querem as populações sobrevoadas por “27 aviões a cada hora” estão contra? Em tempos de crise económica e da vigência da “Troica”, o Governo português de então vendeu um pacote completo a um privado –  aeroporto da Portela e a sua extensão no Montijo. Acontece que as câmaras municipais envolvidas têm voto na matéria e basta uma delas discordar da construção, neste caso, do aeroporto no Montijo, para a entidade reguladora da aviação civil (ANAC) ter de dar um parecer desfavorável à obra. Foi o que aconteceu.

Entretanto, a atual tutela chegou à conclusão que se a Lei é desfavorável altera-se a Lei. 

O Partido Social Democrata que, enquanto Governo, fez o negócio tem vindo a dizer que não vota favoravelmente uma lei destinada a um processo concreto. Agora já se diz disponível. Fazendo crer que há três projetos em avaliação – Montijo como extensão da Portela, Montijo como aeroporto principal com a Portela como complementar e Alcochete.

Aeroporto no Montijo. Não concordam? Vamos perguntar outra vez

ENSINAMENTOS

As câmaras lideradas pelo PS dizem sim e câmaras lideradas pela CDU dizem não. Então é claro que não vai haver aeroporto no Montijo.

 

Para haver aeroporto no Montijo todos as câmaras envolvidas têm de dar parecer favorável, assim está inscrito no regime jurídico que institui que a entidade reguladora da aviação civil (ANAC) só pode autorizar a obra se todas as autarquias envolvidas derem parecer favorável.

Ora acontece que as câmaras lideradas pelo PS dizem sim e câmaras lideradas pela CDU dizem não. Então não vai haver aeroporto no Montijo. Claro que o Governo não vai legislar para um caso concreto, pois corre o risco de abrir um precedente grave. O Governo do PS não incorre em situações dúbias.

Mas então o que é isto que o PS tem andado a fazer nos últimos dias?

Aproveitem enquanto não há aviões
Imagem: Público

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