As maçãs de Alcobaça são peros

Alcobaça é um município de Portugal, no distrito de Leiria. Situa-se entre os rios Alcoa e Baça, no centro do País. A aglutinação dos nomes dos rios compôs-lhe a designação.

Se são maçãs desculpem-me, mas pelo que vejo não me convencem, para mim são peros. Há algum tempo publiquei em texto onde defendo esta minha “tese”: há maçãs e há peros, quando o fruto é arredondado e achatado, como a maçã raineta, então são maçãs; todos os outros frutos, que também são arredondados, mas são alongados, são peros. Se vos apetecer podem ver aqui esta minha defesa mais completa (peros e maçãs).

Sejam maçãs ou sejam peros é uma linda fruta e os seus proprietários estão a desenvolver um grande trabalho no seu cultivo e na poupança da água para a sua rega. Acabo de ler na LUSA que o presidente da Associação de Produtores de Maçã de Alcobaça lhe disse: “Somos a região da Europa, claramente, que usa menos água para fazer um quilo de maçã e que usa menos água para fazer uma maçã”.

Imagem: Câmara Municipal de Alcobaça

Alcobaça é um município de Portugal, no distrito de Leiria. Situa-se entre os rios Alcoa e Baça, no centro do País (veja o mapa abaixo inserido). A aglutinação dos dois nomes dos rios compôs-lhe a designação.

Imagem: Wikipédia

Só a ganância entra em guerra com a natureza

O Secretário Geral da Nações Unidas, António Guterres, em visita ao continente asiático, disse: “A minha geração declarou guerra à natureza”. A mim deixa-me perplexa esta assunção de responsabilidade e digo-lhe que não deve exagerar, pois a sua geração lavou as fraldas dos filhos em tanques de cimento. Comprou produtos a granel nas mercearias embrulhados em jornais velhos. Providenciou alimentos que conservava em salmoiras para o ano inteiro. Amassou e cozeu o pão para a família inteira. Gritou do alto dos montes a chamar os filhos. Escreveu os trabalhos de casa em ardósias. Tomou conhecimento dos acontecimentos do mundo nos rádios dos vizinhos. Deu notícias suas e da guerra em aerogramas. Percorreu quilómetros e quilómetros de estradas e de veredas a pé para levar os filhos ao médico. Só muito tarde a maior parte da sua geração teve direito a viver dignamente, que é assim que se vive se houver avanço civilizacional. Não diga que a sua geração declarou guerra à natureza que isso é uma injustiça para a maior parte das pessoas.

Digo-lhe mais, na juventude, a sua geração viajou pouco. As suas escassas viagens fê-las de comboio, a caminho de outros países onde trabalhava como na escravidão. Só muito tarde comprou automóvel. Raros eram os seres humanos que aproveitavam as viagens de avião. É verdade que a sua geração, António Guterres, assistiu ao arranque e usufruiu das maiores mudanças tecnológicas a que o ser humano ambicionava, mas foi tarde, demasiado tarde para muitos. Mas, apesar das dificuldades vividas, a sua geração considera-se uma felizarda, mas daí a ter declarado guerra à natureza vai uma longa distância.

Senhor Secretário Geral das Nações Unidas não se recrimine, não recrimine a sua geração, porque ela só está a aproveitar um pouco das possibilidades que este “novo mundo” lhe proporciona. Saiba que, mesmo que a ela se dirija, não pode deixar de falar abertamente às gerações depois da sua. Diga-lhes que vivam, que aproveitem as inovações tecnológicas, mas que sejam frugais nos seus usos. Diga-lhes que não enxameiem a terra com equipamentos em desuso. Diga-lhes que estudem cada vez mais e aprendam a diminuir o rasto dos consumos.

Eu sei que quando diz “a minha geração” quer que as pessoas entendam que, há uns anos a esta parte, todos nós, os mais velhos e os mais jovens, não temos a consciência de que muitas das nossas ações infligem grandes males a este nosso Planeta, mas não se esqueça, principalmente, daqueles, poucos que detêm o poder e a riqueza. Vire-se para quem faz viagens de 10 minutos ao espaço afrontando o Mundo com o esbanjamento de dinheiro que tanto falta a outros seres humanos. E quando os mesmos fazem suas corridas de fórmula um e de outras categorias empestando o ar que respiramos e contaminando os bens de que nos alimentos só para seu deleite não os pode deixar de atingir. Olhe também para aqueles que fecham estradas e pontes em Portugal, e não só, para filmar as velocidades furiosas, parecendo que estão a fazer um favor às populações que só se podem sentir ofendidas. Veja que, muitas vezes, quem vive nas cidades ou a elas quer aceder tem o transito condicionado ou não pode mesmo entrar porque os seus carros velhos são poluentes.

Então e os senhores das armas e das das guerras o que lhes tem a dizer? Veja, por exemplo, o que a Rússia está a fazer dentro da Ucrânia? E a Ucrânia o que faz no seu próprio interior? Atente ao sofrimento de toda a natureza. Vise também os países que com o fundamento desta guerra infame aproveitam para manter e até reativar as centrais a carvão e fazer marcha atrás nas promessas que tinham feito de desativar centrais nucleares

Senhor Secretário Geral da Nações Unidas, não foi a sua geração que abriu uma guerra contra a natureza, foram os homens e as mulheres gananciosos de todas as gerações. Foram os que querem olhar para os números das suas contas chorudas e derreter-se de prazer com tanto dinheiro a que chamam seu.

Imagem: ONU

Boas noticias

Encontrei-as na LUSA (Agência de Noticias de Portugal).

Os alunos do ensino superior público, no próximo ano, vão ter reforço dos apoios sociais.

Incêndio de Vale da Serra foi declarado extinto à 1:45.

Paulo Macedo (CGD) diz que é normal que os depósitos venham a ser remunerados.

A Rede Portuguesa de Arte Contemporânea vai contribuir de forma decisiva para a alteração da paisagem da arte contemporânea portuguesa (disse o diretor-geral das Artes). Será uma boa noticia?

Na próxima terça feira vai ser inaugurada, na Torre do Tombo, em Lisboa, uma mostra documental e bibliográfica de José Saramago, o Nobel da literatura português.

O Papa Francisco considerou que o internato de crianças índias no Canadá foi “um genocídio”. Uma boa noticia sobre acontecimentos medonhos.

Imagem: LUSA

O DN terá memórias

As histórias que o Diário de Notícias (DN) tem contado ao longo de mais de 150 anos vão ser preservadas graças aos homens e às mulheres que não admitem que as suas memórias se esfumem.

Eles fizeram um apelo público para a classificação urgente do arquivo e o processo foi iniciado em maio de 2020. Ontem o Conselho de Ministros determinou que o arquivo do DN seja classificado de “bem arquivístico de interesse nacional”.

Com as devidas aspas transcrevo um extrato da notícia da agência Lusa que nos indica o que está abrangido pela classificação dada aos arquivos pelo Governo: “… a classificação abrange “bens arquivísticos e fotográficos custodiados, atualmente, pela empresa Global Média Group”, designadamente o arquivo administrativo e o “o arquivo da redação”, como “dossiers temáticos, recortes de imprensa, recortes de censura, desenhos originais de inúmeras individualidades … o património de natureza fotográfica”, incluindo “negativos de gelatina e sal de prata em vidro e em película, chapas de vidro históricas, provas em papel”.

Quero continuar a ver as histórias da tua histórias DN.

Sol na eira e água no nabal

Isso assim seria um milagre. Despedir os trabalhadores quando os lucros diminuem e tê-los de volta com um estalar de dedos isso não era milagre, isso era burrice de quem trabalha.

Quando a Covid-19 se espalhou pelo mundo as pessoas deixaram de viajar e os aviões ficaram em terra. Então os sábios gestores das companhias aéreas, dos aeroportos e os governos dispensaram os trabalhadores. Eles tiveram de fazer-se à vida. Procuraram alternativas para sobreviver.

Hoje todos gostavam de os ter de volta para ajudar a encaixar as verbas que as pessoas estão prontas a repor. E agora quem mandou os trabalhadores embora está a mostrar como a sua gestão foi incompetente e alguns deles estão a deixar os cargos. Ao que tudo indica não se trata só de falta de trabalhadores, muitas outras falhas estão a ser enunciadas por especialistas.

Quando os voos são suprimidas as pessoas transbordam nos aeroportos e ficam entregues a si próprias. Os seus direitos não são respeitados. Os governos fazem orelhas moucas e os responsáveis das empresas dizem que lhes faltam trabalhadores e estes aproveitam e fazem greves reivindicando melhores condições de trabalho e salários mais justos. A estes, quem lhes pode levar a mal? Quando a crise se instalou foram os primeiros a senti-la.

Sol na eira e água no nabal era assim que os gestores das companhias aéreas gostavam que acontecesse. Isso assim seria um milagre. Despedir trabalhadores quando os lucros diminuem e tê-los de volta com um estalar de dedos isso não era milagre, isso era burrice de quem trabalha.

Imagem: agência Lusa

A montanha das culpas às costas

A gente do PS é exímia em atirar cascas de bananas para depois escorrer. Não sei porque os outros partidos se preocupam tanto em guerrear com quem tem maioria absoluta porque os portugueses assim quiseram. Pensam que os derrubam na Assembleia da República? Julgam que o Presidente dissolve o Parlamento? Acreditam que conseguem aprovar moções de censura? São todos os ingénuos impacientes. Talvez seja mais eficaz dar tempo ao tempo, que um dia destes as escorregadelas talvez provoquem doença grave.

Desta vez talvez nem tenha sido o caso. Talvez nem tenha havido cascas de banana no caminho. Ou, melhor dizendo, talvez as cascas tenham lá estado, mas alguém tenha apontado o dedo dizendo: “Cuidado que elas estão aí. Isto tem de ser assim para parecer que vais escorregar”.

Eu sei que não houve quem interpretasse assim e também sei que não consigo apresentar um fundamento forte. Mas pensem um pouco comigo. A decisão apresentada pelo ministro não podia deixar de ter o acordo de António Costa. Mas nos projetos das obras no Montijo parece já haver concurso ganho e a empresa estava a ser preterida em favor de um instituto português. Este e muitos mais interesses devem estar em jogo. O Primeiro-Ministro estava na cimeira da NATO. Claro que as pressões devem ter sido muitas. O Presidente também deve ter dado uma ajuda substancial para o ministro carregar a montanha das culpas. Claro que todos eles sabem que as coisas tinham de se passar assim, mas coitado do Pedro Nuno que tem de carregar com o fardo da incompetência.  

Mas, um dia destes, muito antes de ser tempo de algum deles escrever as memórias, haverá quem conte como se passou esta história. E eu quero saber.

Imagem: Agência Lusa

Há discurso novo

O novo líder do Partido Social Democrata (PSD) apareceu na TV e fez uma declaração bombástica. Disse ele, mais ou menos isto: “O Governo de António Costa, ainda com tão poucos meses, está desgastado”.

Luís Montenegro retomou o discurso de Rui Rio durante a última campanha eleitoral. Lembram-se de o vermos percorrer as ruas e as estradas do país gritando que António Costa estava tão cansado, tão desgastado que, coitado, não podia ir longe.

Todos sabemos o resultado que o PSD obteve, menos o atual líder do partido.  Então temos de lhe dizer que foi assim: PS = 41,37%; PSD = 27,67% (eleição legislativa 2022, fonte: CNE). Gosta? Então insista.

A imagem que se segue não completa o texto ela é por si só uma notícia, um ruído, uma demonstração de insensibilidade. Olhem para ela e vejam se descobrem a mensagem. Dou uma ajuda dizendo que se trata da diretora adjunta da FAO, que é a Agência das Nações Unidas para erradicar a fome no Mundo. A fotografada dava uma entrevista à RTP no âmbito do seu cargo, enquanto decorria a Cimeira dos Oceanos, em Lisboa.

Imagem: Desobrigado.com (captada da TV)

Os 27 disseram SIM

Uma boa notícia para a Ucrânia. Oxalá retraia os invasores do país de Zelensky.

Vi há pouco na LUSA que os 27 países da União Europeia foram unânimes ao atribuir à Ucrânia o estatuto de país candidato à integração. Não é muito, mas dão mais uma vez, a Putin, um sinal de apoio a um país que ele está a arrasar.

Imagem: Agência LUSA

Ela pintou a vida

As pinturas de Paula Rego têm pessoas reais lá dentro.

Eu adoro as histórias que a Paula Rego conta na sua Obra. Eu sei que foge ao que o comum dos mortais costuma achar aceitável quando se fala de emoção, mas, é mesmo assim, acontece-me ter vontade de chorar quando vejo os seus desenhos. São tão reais as pessoas que figuram nos seus quadros. O sofrimento do ser humano está ali tão forte, tão comovente. As pinturas de Paula Rego têm pessoas reais lá dentro. Desde as expressões dadas aos rostos, aos desenhos dos corpos, às histórias de vidas contadas, às roupas que vestem as pessoas, aos sapatos que as calçam, aos ambientes onde estão colocadas, tudo é espetacular.

Hoje, a propósito da sua morte, vi tantas imagens da sua obra que, apesar de estar cheia de tristeza por ela ter partido, me deliciaram. Mas também acrescentou tristeza a minha tristeza pela sua morte o facto de ter deixado de acalentar a esperança de trocar umas palavras com ela. Adorava ter-lhe dito como a estimava e como gostava da sua Arte.  

Há quem diga que Paula Rego pintou o medo, pois eu digo que ela pintou a vida.

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