Barco de pesca versus navio cruzeiro

Portugal

Um navio cruzeiro com cerca de 4200 pessoas a bordo entrou no porto de Lisboa com 52 infectados pelo SarsCov2.

Acabo de ler na Lusa que as pessoas que testaram positivo para a Covid-19 foram colocadas de quarentena em hotéis da cidade. As restantes, mais de 4000, foram autorizadas a sair do navio.

Também li na Lusa que, em Viana do Castelo, no dia 30 de dezembro os pescadores, que faziam quarentena desde o dia 19, foram autorizados a sair do barco, depois de testarem negativo para a Covid-19.

Mais palavras para quê?

As flores da solidariedade

Era um terreno baldio, nas traseiras de um prédio de um bairro de Alhandra, onde vivem algumas das senhoras que ali fazem crescer um lindo jardim. Agora abundam roseiras, saudades, malmequeres, moitas de passarinho, ervas aromáticas e muito mais.

O chão barrento é muito pesado para os braços das mulheres, mas um dia uma fez uma cova e colocou lá uma poda de roseira e foi regando, regando e a planta pegou e cresceu. Um outro dia veio uma vizinha da primeira e trouxe outra poda e plantou, regou e mais uma roseira ali surgiu. De vez em quando aparecia mais uma vizinha, que se associava às primeiras. Trazia sementes que metia na terra e que logo germinavam. Foi assim que o jardim foi crescendo.

Mas as “jardineiras” tinham dificuldade em carregar a água para a rega. Tinham de a trazer de longe, de casa. Até que um dia surgiu, como que por magia, uma solução. Aquela é uma terra de gente solidária.

No bairro existem árvores e alguns plantas em canteiros que também precisam que cuidem delas. Quem se encarrega deste trabalho passou a esquecer-se, próximo do jardim das senhoras, de uma mangueira ligada a uma saída de água. Ficou ali, como que abandonada, e a água para a rega do jardim passou a estar mesmo à mão.

Imagem: Desobrigado

Negativo? Não. Não detetável é o termo usado

Caso alguém, como eu, não esteja corretamente informado.

Se fez um teste para saber se está, ou não, infetado com o SarsCov2 não espere encontrar no relatório a palavra NEGATIVO. É verdade que é este o termo que ouvimos constantemente quando nos informam como podemos ultrapassar algumas restrições impostas para prevenir os contágios.

Um dia destes fui fazer um teste ao SarsCov2. Queria ir visitar uma amiga que só pode receber quem apresente um resultado NEGATIVO, para além de fazer a prova da vacinação completa.

Quando recebi o relatório por e-mail, tal como tinha pedido, embora não me sentisse doente, tive um sobressalto, pois não encontrei a informação que tanto queria. A palavra NEGATIVO não estava lá. E não estava, soube mais tarde por alguém que domina esta matéria, porque os técnicos não podem responsabilizar-se escrevendo que o resultado é NEGATIVO. Por isso a palavra, ou melhor dizendo, as palavras NÃO DETECTÁVEL substituem a palaVra NEGATIVO.

Imagem: SNS (Portugal)

Venderam-me castanhas podres

Dia 11 de novembro sem castanhas assadas ou cozidas não é dia de São Martinho e o Santo merece ser celebrado, até porque nos oferece uns dias mais quentinhos quando o outono começa a imitar o inverno. Mas eu tenho de reconsiderar a celebração, pois o supermercado, onde faço usualmente as compras, vendeu-me castanhas podres. Das 520 gramas que comprei metade é lixo.

Onde terá ido o supermercado comprar aquela estrumeira. Amanhã conto ir lá perguntar-lhe se não tem vergonha de enganar assim os clientes.

Em 520 gramas de castanhas estavam estas todas podres (Imagem: Desobrigado.com)

Ganharam com a Covi-19?

Os carros grandes cresceram. As suas dimensões estão maiores. Em número não sei, mas que o seu tamanho afronta os pequeninos que se encolhem entre eles não tenho dúvidas.

Foi a doença destes quase dois anos? era a isto que se referia o secretário de Estado que foi à Europa dizer que Portugal ganhou com a pandemia?

Imagem: Desobrigado.com (estacionamento do Amoreiras Plaza, Lisboa, Portugal)

Eles falavam mal do meu país e a minha raiva crescia, crescia

Palavras que mordem

Sentados à mesa do café, dentro de um centro comercial, em Lisboa, Portugal, com três chávenas de café vazias na mesa, sem máscaras, três brasileiros, dois homens e uma mulher, recriavam-se a falar mal do meu país. Eu ouvia-os e a minha raiva crescia.

Um dos homens, o que estava virado para mim monopolizava a conversa. Ele falava sobre a corrupção cá existente, enquanto os outros anuiam. Eu tive tanta vontade de me levantar e de lhes dizer que colocassem as máscaras, saíssem e fossem para bem longe, de preferência para fora do meu país. Não o fiz e estou mesmo arrependida.

Terminei o meu café, coloquei a máscara e ainda ouvi mais um pouco. Então percebi que eles estão cá porque, como dizia o speaker de serviço “a saúde e a segurança social são boas em Portugal”. Só faltou dizer, eu pelo menos não ouvi, que têm médico de família, coisa que não acontece comigo. E também não explicou como sabe que a Segurança Social é boa, possivelmente aproveita para receber uns subsídios sociais. 

O cretino falador acabou por dizer que isto aqui também era bom porque Espanha está logo ali e um pouco mais à frente está França, acrescentando que um dia destes foi de manhã em viagem a uma cidade italiana e ainda tinha voltado a tempo do jantar.

O meu país tem muitos defeitos. É verdade que a corrupção parece grassar como uma doença contagiosa, mas, que me desculpem os brasileiros amigos de Portugal, digam-me lá se o país daqueles homens e daquela mulher é o berço mundial dos santinhos e das pessoas honestas. Reparem que eu se estivesse acolhida no Brasil, nem isto diria. Porque vêm, então, para cá falar mal do meu país na minha cara? Ele é para mim como a minha família. Eu até posso não gostar de algumas atitudes, mas isso é comigo. Não venham pessoas de fora falar mal seja de quem for, porque eu isso não admito.

Imagem: Desobrigado

Chamem a polícia

O meu ângulo

“Dar moeda não é solução” informa o cartaz, da Câmara Municipal de Leiria, colocado num parque de estacionamento isento de pagamentos. Claro que a Câmara tem soluções para quem pede moedas em troca da “ajuda” no estacionamento. Não tem? Ora essa, então, no mínimo, é falta de solidariedade com quem necessita de uns trocos para sobreviver. 

“Não é nada disso”, dir-me-ia a Câmara se eu lhe perguntasse e acrescentaria: “Aquela moeda que não é solução se dada a quem arruma carros, é de uma grande mais-valia se ficar no bolso do dono do automóvel”.

O cidadão deve pensar muito bem sempre que um arrumador lhe estender a mão. Não se esqueça que a Câmara o aconselha chamar a polícia.

Imagem: Jacinta Romão

Um partido político à moda do antigamente

O PSD faz jus aquela máxima que diz que “vale tudo menos tirar olhos”. Só que neste caso nem sei se os olhos estão a salvo.

Parece-me que o PSD anda a imitar a extrema direita. Então digam-me, para que querem os extremistas a imitação se têm o original? Ou estarei enganada? Estará o PSD a fazer de si mesmo já que tudo serve aos seus homens do Seixal. 

Eles canibalizaram o êxito de Pedro Pichardo nos jogos Olímpicos e fizeram uns cartazes vergonhosos de anticomunismo serôdio. Ele até os pode ter autorizado, mas saberá português de modo a compreender que está a ajudar a ofender uma parcela significativa dos portugueses. 

Escrevem coisas como estas em cartazes de campanha para as eleições autárquicas 2021: “fuja do comunismo e tenha uma vida de ouro; só mesmo os comunistas podem fumar charutos”, isto e muito mais. O PSD julga que assim vai ganhar as eleições no próximo dia 26 de setembro no Seixal. Este partido obteve, em 2017, 11,84% dos votos. Agora faz jus àquela máxima que diz que “vale tudo menos tirar olhos”. Neste caso nem sei se os olhos estão a salvo. 

Os portugueses devem estar recordados da “vida de ouro” que sempre lhes foi concedida quando o PSD foi governo em Portugal. De certeza que muitas pessoas viram aqueles tristes cartazes, como eu, no Facebook. Não sei se os penduraram pela cidade.

Julgam que assim ganham a câmara? Ainda não viram que o original sabe fazer este tipo de intervenção muito melhor? Então aguardem que a resposta não tarda.

Imagem: Jornal de Abrantes

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