Ela diz que haverá arroz. O pai foi embora

HISTÓRIAS DE PESSOAS

 

Vi na RTP 3, no programa Zoom África (2019/04/26), a história começa ao minuto nono, é sobre uma mulher que aos 39 anos já foi mãe de 44 filhos. Vive no Uganda, um país de África.

Casou aos 12 anos (dizendo corretamente, houve quem a casasse), aos 13 nasceram os seus primeiros dois filhos, gémios. Depois vieram muitos outros. De um em um ou em grupos de dois, de três, de quatro e até de cinco. Chegou já ao número  44. Seis morreram de problemas vários. 38 estão vivos.

 

Ela agora vive sozinha a fazer pela sua vida e pelas vidas dos seus filhos. Quando nasceram os últimos gémeos o pai foi embora. Agora ela diz que pelo menos arroz conseguirá arranjar para toda a família.

Tem sido apresentada como símbolo de fertilidade, mas vejam-se os outros ângulos desta história. É uma linda família, é verdade, mas a comida é fraca, falta roupa e  muitos pés andam descalços.

Oxalá que o circo mediático que se montou à sua volta a ajude a alimentar e a calçar os filhos.

Nota: se gostar de ver o programa, pode usar o link que está abaixo.

https://www.rtp.pt/play/p5331/e403486/zoom-africa

 

 

 

 

 

 

Meninos descalços em tempos de ditadura

OS MENINOS DESCALÇOS

 

Meninos
Imagem: DR (publicada no FB)

Ontem uma amiga publicou esta fotografia no Facebook. Com a devida vénia reproduzo-a aqui, porque me fez recordar uma conversa azeda de uma pessoa saudosa dos tempos que estes meninos viveram.

 

Enquanto tomava o pequeno almoço, no meu café do costume, uma senhora com alguma idade, que desconhece que Lei Fundamental do seu país não permite a difusão de ideias contrárias às liberdades, a falar para todos nós, a propósito de nada, só por lhe apetecer, disse: “Faz cá falta um ditador” … e por aí fora… foi-se esticando. Até que alguém lhe disse que ela não podia dizer o que estava a entoar. Tinha sido melhor que a segunda interveniente não lhe desse atenção, pois acabou por sentir-se maltratada. Ofendida. Deixou o pequeno almoço em cima do balcão e virou as costas.

Aquela mulher que só gosta de liberdade para si, não viu os pés descalços dos meninos da fotografia, e também não viu outros, igualmente necessitados, que não foram guardados em retratos. Ela só viu os pés calçados, supondo que estes eram os seus.

Convido-a, a ela, a olhar bem para esta fotografia e a imaginar-se de pés nus pisando o gelo dos invernos.

 

 

 

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