Há discurso novo

O novo líder do Partido Social Democrata (PSD) apareceu na TV e fez uma declaração bombástica. Disse ele, mais ou menos isto: “O Governo de António Costa, ainda com tão poucos meses, está desgastado”.

Luís Montenegro retomou o discurso de Rui Rio durante a última campanha eleitoral. Lembram-se de o vermos percorrer as ruas e as estradas do país gritando que António Costa estava tão cansado, tão desgastado que, coitado, não podia ir longe.

Todos sabemos o resultado que o PSD obteve, menos o atual líder do partido.  Então temos de lhe dizer que foi assim: PS = 41,37%; PSD = 27,67% (eleição legislativa 2022, fonte: CNE). Gosta? Então insista.

A imagem que se segue não completa o texto ela é por si só uma notícia, um ruído, uma demonstração de insensibilidade. Olhem para ela e vejam se descobrem a mensagem. Dou uma ajuda dizendo que se trata da diretora adjunta da FAO, que é a Agência das Nações Unidas para erradicar a fome no Mundo. A fotografada dava uma entrevista à RTP no âmbito do seu cargo, enquanto decorria a Cimeira dos Oceanos, em Lisboa.

Imagem: Desobrigado.com (captada da TV)

Punhos de renda

CRÓNICAS

 

Eu gosto de punhos de renda reais. Adoro aqueles que me apertam os pulsos e me enfeitam as mãos. Os figurativos, que designam a mansidão com que algumas pessoas vão vivendo e acautelando as relações com outros seres humanos, desagradam-me. O trato, de quem usa estes punhos excessivamente expostos, é exagerado e mal interpretado. De diplomático, cortês, reservado, habilidoso, elegante e fino, passa a subserviente, adulador, engraxador e muito mais.

Andar com punhos de renda é o que não me apetece mesmo, a maior parte do tempo. Desejo, isso sim, fazer precisamente o contrário. Muitas cautelas inibem-me a personalidade. Adoro ir direta ao assunto, sem injúria. A clareza encanta-me. Aborrece-me rodear as questões. Gosto de deixar a diplomacia aos profissionais. Ultimamente, então, uso punhos mais grosseiros. Os punhos de renda estão a ficar muito na gaveta. Demasiadas vezes dirão algumas pessoas. Desculpem-me, então, mas talvez até me esqueça da gaveta onde os guardo.

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Imagem: Desobrigado

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