O Primeiro-ministro já não é virtual

Pequenas grandes notícias

O Primeiro-ministro de Portugal já não é virtual. Fez teste que deu negativo. Termina hoje o confinamento profilático de 14 dias. Ele esteve em contacto com Macron, chefe do Estado francês, que estava infetado com a Covid-19 e as autoridades de saúde determinaram o isolamento. 

Aos trabalhadores da TAP espera-os o desemprego. Aos administradores da empresa espera-os mais dinheiro nas contas bancárias ao fim do mês. O Governo diz que poupa dinheiro, mas estas pessoas chegam a ter cem por cento de aumento salarial. Um deles prescinde do aumento, mas tinha aceitado.

Os Países Baixos adiam a vacinação, dizem que é por questões de segurança. Querem crer para querer.

O Reino Unido saiu da União Europeia, mas os seus profissionais da cultura pretendem circular livremente. Fizeram uma petição para que tudo fique igual à época anterior ao Brexit. Ainda vamos saber que ninguém votou a favor da saída naquele referendo.

Negociaram e o Prémio Nobel da Paz vem a caminho

O MUNDO

 

Eles negociaram e chegaram a um acordo. A Macedónia vai passar a designar-se “República da Macedónia do Norte”. Agora, os protagonistas, os primeiros-ministros grego e macedónio, estão nomeados para o Prémio Nobel da Paz.

O que acordaram ainda vai passar pelos parlamentos dos dois países, mas o caminho está quase todo percorrido. 80 dos 120 deputados macedónios já disseram, há algum tempo, sim à adopção de “República da Macedónia do Norte” para designar o país.

Antes, no dia 30 de setembro, a Macedónia foi a votos. O país referendou a possibilidade de alteração do nome do país para “República da Macedónia do Norte”. A maioria dos votantes disse sim, mas a afluência às urnas foi curta e resultado da votação não foi válido.

O diferendo que tem sido mantido entre os dois países parece estar próximo do fim. O sobressalto em que a Grécia vivia, por receios de reivindicações de território da região grega da Macedónia, está apaziguado e os negociadores podem vir a ganhar o Prémio Nobel da Paz.

 

Não há incentivos. As vacas continuam a perder os chifres (e os touros e as cabras e os carneiros e talvez outros animais)

COISAS TRISTES

Os votos confirmaram as sondagens. As vaquinhas suíças vão continuar a perder os chifres. 55% dos eleitores votantes, no referendo de ontem, responderam não à pergunta colocada.

É verdade que não perguntaram aos eleitores se eles queriam, ou não, que cortassem os chifres aos animais. A questão colocada foi se eles queriam, ou não, que o Estado pagasse subsídios a quem não cortasse os chifres aos animais. A resposta foi maioritariamente não. Eles não querem que sejam pagos subsídios.

O agricultor (Armin Capaul) que recolheu as mais de 100 000 assinaturas para o assunto ser levado a referendo, pode ter contribuído para, alguns, considerarem o referendo  interesseiro. Ele é agricultor e não corta os chifres aos seus animas.

Na Suíça continua tudo como estava. Não há incentivos. As vacas continuam a perder os chifres (e os touros e as cabras e os carneiros e talvez outros animais).

Vacas com chifres cortados ocupam menos espaço nos estábulos. A Suíça referenda subsídios para quem crie e mantenha os animais intactos

COISAS TRISTES

 

A Lusa noticiou hoje: “vacas com chifres, símbolo da Suíça, vão a referendo”. Pareceu-me um pouco estranha esta consulta aos eleitores. Mas lendo um pouco mais, vejo que neste país só 10% das vacas têm chifres.

Sabem porque só 10% das vacas do país tem chifres? Porque os chifres das outras foram cortados. E sabem porque lhes cortaram os chifres? Porque assim elas ocupam menos espaço nos estábulos.

A história do referendo é simples, um ativista animal, agricultor e dono de vacas com chifres, resolveu recolher as 100 000 assinaturas necessárias legalmente para levar a referendo uma proposta para que o governo suíço pague subsídios a quem não lesar os animais.

O agricultor demorou 18 meses, mas conseguiu recolher 119 626 assinaturas e o assunto vai a votos no próximo domingo.

Segundo as sondagens, depois de domingo, as vaquinhas suíças correm o risco de continuar a perder os chifres.

 

O Sr. Presidente está orgulhoso – a Nova Caledónia quer continuar francesa

O MUNDO

Fica lá para a Oceânia (Pacífico). É um território ultramarino francês. Há lá quem queira ser independente. Em 1998 foi celebrado o Acordo de Nouméa (a capital do território deu-lhe o nome) prevendo a passagem do poder e a consulta à população sobre a possibilidade de independência.

No passado dia 2 os caledónios foram a votos. Os eleitores rondam os 175000. 80% deles votaram e 56,4% destes disseram que não querem ser independentes. A Nova Caledónia vai continuar a ser um território ultramarino francês e Emmanuel Macron diz que está orgulhoso.

O presidente francês não pode dormir descansado sobre o assunto. O líder independentista, Alosio Sako, diz que “ficaram a dois palmos da vitória” e possivelmente vai reclamar um novo referendo. Na verdade estão previstos, no Acordo de Nouméa, celebrado entre a França e a Nova Calendónia, mais dois referendos, sobre a possibilidade de independência do território.

Vamos aguardando notícias sobre as opções dos caledónios.

 

Legenda: situe-se em Portugal. Experimente olhar para oriente. Passe para Espanha e depois para França. Continue em frente, sempre em frente. Lá para o Oriente encontrará a Nova Caledónia, veja bem, um território ultramarino francês.

A notícia foi pouco noticiada: a República da Irlanda também foi a votos

Em tempos de Haddad e Bolsonaro houve notícias pouco noticiadas. Como esta: no passado dia 26 a República da Irlanda elegeu um novo Presidente da República e respondeu em referendo sobre a supressão do crime de blasfémia da Constituição do país.

Os candidatos à Presidência da República eram seis e foi reeleito o atual Presidente, com 55,8% dos votos dos 3,2 milhões de eleitores. Quanto ao referendo, os irlandeses disseram que o crime de blasfémia devia ser banido da Constituição.

Correu bem a reeleição do Presidente da República da Irlanda e o referendo também não deu que falar. Michael Higgins, de 77 anos, ganhou novo mandato. Poucos falaram e menos comentaram as eleições neste país da União Europeia. Foi melhor assim, os 3,2 milhões de eleitores votaram, souberam os resultados e aguardaram calmamente o desenrolar dos acontecimentos eleitorais do outro lado do Atlântico. Esses sim com todos os olhos em cima.

Mas podia-se ter noticiado: as eleições na República da Irlanda só têm uma volta; cada eleitor pode votar em mais do que um candidato, ordenando-os pela ordem da sua preferência; os votos da segunda escolha são transferidos para o candidato mais votado; a contagem dos votos só é feita no dia seguinte. Também podiam ter informado que a Constituição do país tinha inscrito o crime de blasfémia (ofensa religiosa) e que embora a sua previsão se mantivesse havia uns 300 anos que ninguém era condenado.

República da Macedónia do Norte

 

A Macedónia, às portas da região grega com o mesmo nome, vai designar-se República da Macedónia do Norte. O primeiro-ministro, Zoran Zaev, entregou a decisão ao parlamento e 80 dos 120 deputados disseram sim à alteração do nome do país. Segue-se um processo de inclusão de uma emenda na Constituição.

Os macedónios já tinham dito sim à alteração no referendo de 30 de setembro, mas só 30% dos eleitores foram a votos e o resultado não valeu. A Lei fundamental do país determina que têm de votar 50% dos eleitores.

Agora aguardam que os aceitem nas instituições internacionais.

 

 

 

A mãe mandou chegar a roupa ao pêlo

Há um ano escrevi que a Catalunha tinha saído de casa. Afinal não se concretizou a partida.

Um ano após o referendo, onde a maioria na Catalunha disse sim à separação, a mãe disse aos mais fortes que lhe chegassem a roupa ao pêlo e eles assim fizeram.

A Catalunha, de vez em quando, é mimada violentamente e retribui. Chega a receber tratamento hospitalar. Não quer, mas tem de continuar em casa. Resta-lhe usar o amarelo na lapela.

 

 

Macedónia ou República da Macedónia do Norte?

Os macedónios vão responder, em referendo no próximo dia 30, se querem, ou não, alterar o nome do seu país, independente desde 1991, de Macedónia para República da Macedónia do Norte.

A Macedónia resultou do desmembramento da Jugoslávia. Tem fronteiras com o Cosovo, a Sérvia, a Bulgária, a Grécia e a Albânia.

É a fronteira com a Grécia que motiva um litígio fundamentado no nome de Macedónia. A Grécia teme que os macedónios reivindiquem a anexação da sua região com o mesmo nome. O diferendo tem dificultado a integração do país nas organizações internacionais.

Os Estados Unidos da América Norte (EUA) apoiam o Sim e o Não é “patrocinado” pela Rússia. Ambos os lados sabem porque fazem uma e não outra opção. Os 2,1 milhões de habitantes, com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) elevado (0,748), saberão fazer uma boa escolha.

 

IDH elevado

País Macedónia
Independência 1991
Nome a referendar República da Macedónia do Norte
Fronteiras Kosovo, Sérvia, Bulgária, Grécia; Albânia
População 2,1 milhões
IDH 0,748, elevado

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