A Lituânia, embora seja membro da NATO e da União Europeia, porque sabe, por
experiência própria, o que significa ter a Rússia dentro das suas fronteiras, solidariza-se
com a vizinha Ucrânia e, ao mesmo tempo, chama a atenção de quem deixou de ver
e de ouvir para a devastação que lá continua a acontecer.
O país com 2,8 milhões de habitantes, mas com um IDH muito elevado (0,882)
vai oferecer dois sistemas avançados de mísseis terra-ar NASAMS à Ucrânia, que só
chegarão daqui a uns três meses (*). É muito tempo, embora outros
países já tenham feito lá chegar outros sistemas de defesa, tudo tem sido pouco
para parar as agressões da Rússia.
Entretanto terá lugar a cimeira da NATO em Vilnius (capital da Lituânia),
onde nada acontecerá de extraordinário que alivie o sofrimento dos ucranianos. Seria
mesmo muito importante que todos os países membros da Aliança resolvessem
acolher rapidamente no seu grupo a Ucrânia e, assim, protegessem as vidas das
pessoas e o país. “Não pode ser assim”, já ouço vozes a dizer isto, mas não
se esqueçam, os que assim pensam e assim falam, daquela máxima que diz que “querer
é poder” e os países membros da NATO têm mesmo muito poder.
(*) A seguir está o texto completo da noticia da LUSA a que gentilmente me deu acesso.
“Vílnius, 28 jun 2023 (Lusa) – A Lituânia comprou dois sistemas
avançados de mísseis terra-ar NASAMS à empresa norueguesa Kongsberg que serão
entregues à Ucrânia dentro de três meses, anunciou hoje o Governo lituano.
O anúncio coincidiu com a chegada do Presidente da Lituânia,
Gitanas Nauseda, a Kiev para conversações com o homólogo ucraniano, Volodymyr
Zelensky.
“Os lançadores do sistema NASAMS chegarão à Ucrânia num futuro
próximo”, disse Nauseda na rede social Facebook, citado pela agência francesa AFP.
“Mesmo nestas circunstâncias, quando os ‘stocks’ estão vazios,
encontramos oportunidades para ajudar os nossos amigos”, acrescentou.
O ministro da Defesa lituano, Arvydas Anusauskas, avaliou o
contrato em 9,8 milhões de euros e disse que os lançadores chegarão à Ucrânia
dentro de três meses.
De acordo com o ministério, a Noruega fornecerá à Ucrânia
equipamento logístico para os lançadores.
Em serviço desde 1998, o Sistema Avançado de Mísseis
Superfície-Ar Norueguês/Nacional (NASAM, na sigla em inglês) é um sistema de
defesa contra helicópteros, mísseis de cruzeiro, aparelhos não tripuladas
(‘drones’) e outras aeronaves.
Zelensky agradeceu a Nauseda pela compra dos lançadores numa
mensagem na rede social Twitter.
“É uma contribuição importante e oportuna para proteger os céus
ucranianos e salvar vidas ucranianas”, acrescentou Zelensky.
A Lituânia irá também enviar a Kiev 10 veículos blindados de
transporte M113.
Com as munições que serão entregues ainda este ano, a ajuda
militar da Lituânia à Ucrânia ultrapassará os 500 milhões de euros, de acordo
com o Ministério da Defesa.
Nauseda e Zelensky deverão discutir a cimeira da NATO a realizar
no próximo mês em Vílnius e a candidatura da Ucrânia à União Europeia (UE).
A Lituânia, tal como os outros dois Estados bálticos, a Estónia
e a Letónia, tem estado solidária com a Ucrânia desde a invasão russa em 24 de
fevereiro de 2022.
Os três países integraram a União Soviética durante décadas
antes de se tornarem independentes em 1991, com a dissolução do bloco liderado
por Moscovo.
Posteriormente, aderiram à NATO e à UE, duas organizações que a
Ucrânia também quer integrar.”

Deixe um comentário