Viagem em Cuba (I)

Não há “mares de rosas”, mas as rosas existem mesmo.

No dia um de março deste ano de 2022 deslumbrei-me logo no primeiro assomo pela janela. Os tripulantes foram exímios no desenho daquele quarto crescente de lua por cima do oceano e das serras que cercam Santiago de Cuba. De cima das nuvens brancas, descemos rumo ao brilho do sol que acolheu escaldando os passageiros e a tripulação que vinham de uma viagem longa, mas serena.

E, então, quando o desenho do quarto crescente da lua se completou, o avião deslizou pela longa pista e foi abrir as portas em frente ao edifício do aeroporto.

Não há “mares de rosas”, mas as rosas existem mesmo.

Criaram a ilusão e iludiram-se

Olhando um placard que ainda exibe um Rio eufórico, lembrei de uma história que ouvi contar há muitos anos.

Aquele partido político que contavam ganhar as eleições do passado domingo, deixou que os seus filiados enchessem autocarros e “desaguassem” nas grandes cidades, criando a ilusão que com tanta gente ia ganhar. Tamanhas enchentes tinham forçosamente de influenciar o sentido do voto a seu favor. Mas os eleitores já desmontam melhor os truques.

A acrescentar às enchentes, o líder gritava que o seu rival direto estava cansado. Que já lhe tinha entregado os pontos. Que já tinha perdido. Que era mentiroso. Que, ao menos, podia perder com dignidade. Chegou a acreditar que a ilusão era real.

Hoje, olhando para um grande placard que ainda exibe um Rio eufórico, lembrei de uma história que aconteceu em Garvão, no Alentejo, há talvez uns oitenta anos.

Uma moradora da aldeia, que devia estar farta da pasmaceira do dia-a-dia, saiu de casa e pôs-se a gritar: “Caiu um avião na Sardoa, caiu um avião na Sardoa”, (um local afastado do centro). Ouvindo aquela gritaria as outras pessoas saíram de casa e correram para o local do suposto desastre. O centro da aldeia estava quase deserto, toda a gente caminhava na direção indicada. Até que ela, a mulher que se queria divertir um pouco, falou de si para si dizendo: “Não querem ver que caiu mesmo um avião na Sardoa! Vou ver”.

Imagem: Pixabay

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