O DN terá memórias

As histórias que o Diário de Notícias (DN) tem contado ao longo de mais de 150 anos vão ser preservadas graças aos homens e às mulheres que não admitem que as suas memórias se esfumem.

Eles fizeram um apelo público para a classificação urgente do arquivo e o processo foi iniciado em maio de 2020. Ontem o Conselho de Ministros determinou que o arquivo do DN seja classificado de “bem arquivístico de interesse nacional”.

Com as devidas aspas transcrevo um extrato da notícia da agência Lusa que nos indica o que está abrangido pela classificação dada aos arquivos pelo Governo: “… a classificação abrange “bens arquivísticos e fotográficos custodiados, atualmente, pela empresa Global Média Group”, designadamente o arquivo administrativo e o “o arquivo da redação”, como “dossiers temáticos, recortes de imprensa, recortes de censura, desenhos originais de inúmeras individualidades … o património de natureza fotográfica”, incluindo “negativos de gelatina e sal de prata em vidro e em película, chapas de vidro históricas, provas em papel”.

Quero continuar a ver as histórias da tua histórias DN.

Ânsia de mandar?

Sr. Presidente da República, as suas presidências deviam estar a ser um passeio por caminhos rodeados de árvores frondosas e de água a deslizar de cascatas – com viagens, condecorações de agradecimento pelas conquistas para o país, muitas selfies com gente risonha, mergulhos em mar aberto e em albufeiras de água doce. Em vez disso, transformaram-se numa maratona corrida em estradas repletas de escolhos. Eu até lhe diria que tem percorrido, com os portugueses, o caminho das pedras.

Hoje já nem tanto, mas houve tempo em que o seu rosto expressava o seu sofrimento e, por conseguinte, o de todos os cidadãos portugueses. O SARSCov-2 fez adoecer até quem não chegou a ficar infetado.

Foi então que, sem mais quê nem porque não, o Sr. Presidente da República resolveu mostrar-nos aquele seu outro lado, desconhecido de muitos de nós. Fez um rombo naquela sua imagem cativante. Agora vai tentando corrigir o buraco redondo cosendo-lhe um remendo quadrado. Tem feito algumas tentativas como foi aquela quando recebeu a seleção portuguesa de futebol, que tinha sido arredada do Euro 2020, dizendo que também já esteve mal na política. Pareceu-me que, mais uma vez, estava a querer editar e corrigir aquela brecha. Mas o que estava dito estava dito. O Presidente quase jurara a pés juntos que no que de si dependesse as medidas de restrição contra a Covid-19 não seriam repostas. O que ecoou nos ouvidos de muitos portugueses como um grito ofensivo.

Veja que as pessoas, possivelmente entendendo mal, baixaram a guarda.Os números de infetados e de internados com doença grave têm crescido todos os dias. Muitas pessoas continuam a sofrer. Muitas vidas continuam a ser perdidas.

Ontem, a Lusa noticiou que a ministra da saúde, Marta Temido, disse que o Governo tem projeções que apontam para mais de 4000 infeções diárias nas próximas semanas. Hoje, já há notícia de mais 3285 nivos casos de infeção pelo SARSCov2. O que diz a isto Sr. Presidente da República?

Imagem: página oficial da Presidência da República

“Ora agora vota não ora agora vota sim”

Pontos de vista

Eles defendem acerrimamente a extensão do aeroporto Humberto Delgado no Montijo. Enquanto os especialistas em temas ambientais e os políticos que não querem as populações sobrevoadas por “27 aviões a cada hora” estão contra? Em tempos de crise económica e da vigência da “Troica”, o Governo português de então vendeu um pacote completo a um privado –  aeroporto da Portela e a sua extensão no Montijo. Acontece que as câmaras municipais envolvidas têm voto na matéria e basta uma delas discordar da construção, neste caso, do aeroporto no Montijo, para a entidade reguladora da aviação civil (ANAC) ter de dar um parecer desfavorável à obra. Foi o que aconteceu.

Entretanto, a atual tutela chegou à conclusão que se a Lei é desfavorável altera-se a Lei. 

O Partido Social Democrata que, enquanto Governo, fez o negócio tem vindo a dizer que não vota favoravelmente uma lei destinada a um processo concreto. Agora já se diz disponível. Fazendo crer que há três projetos em avaliação – Montijo como extensão da Portela, Montijo como aeroporto principal com a Portela como complementar e Alcochete.

O Primeiro-ministro já não é virtual

Pequenas grandes notícias

O Primeiro-ministro de Portugal já não é virtual. Fez teste que deu negativo. Termina hoje o confinamento profilático de 14 dias. Ele esteve em contacto com Macron, chefe do Estado francês, que estava infetado com a Covid-19 e as autoridades de saúde determinaram o isolamento. 

Aos trabalhadores da TAP espera-os o desemprego. Aos administradores da empresa espera-os mais dinheiro nas contas bancárias ao fim do mês. O Governo diz que poupa dinheiro, mas estas pessoas chegam a ter cem por cento de aumento salarial. Um deles prescinde do aumento, mas tinha aceitado.

Os Países Baixos adiam a vacinação, dizem que é por questões de segurança. Querem crer para querer.

O Reino Unido saiu da União Europeia, mas os seus profissionais da cultura pretendem circular livremente. Fizeram uma petição para que tudo fique igual à época anterior ao Brexit. Ainda vamos saber que ninguém votou a favor da saída naquele referendo.

Discursa nos termos da Constituição?

AS PALAVRAS

Ele gritou que o Governo não ouviu os queixumes dos empresários da restauração, que ontem se manifestaram em frente à AR. O deputado acrescentou: “… mas eles ali estiveram de mãos bem estendidas …”

Não tenho querido mencionar o seu nome. Não lhe quero dar o meu palco, mas isso é o que não lhe falta. Ele já ajuda a colocar partidos no poder.

Sim, ele é deputado da Nação. Alguns cidadãos deram-lhe o seu voto. O partido onde milita foi legalizado pelo Tribunal Constitucional (TC).

Ele faz intervenções inflamadas na Assembleia da República.

Devemos ir ouvindo com atenção o que ele vai dizendo por aqui e por ali e também na Assembleia da República (AR). O TC, que lhe deu o sim, deve ter muitos ouvidos atentos.

Hoje, durante a votação do Orçamento do Estado para 2021, ele disse algo que me pôs, mais uma vez, em estado de alerta. Não foi concreto, mas insinuou como ama o extremismo que muitos de nós não queremos de volta. Ele gritou que o Governo não ouviu os queixumes dos empresários da restauração, que ontem se manifestaram em frente à AR. O deputado acrescentou: “… mas eles ali estiveram de mãos bem estendidas ...”. Ele não explicou se as mãos estavam viradas para cima ou para baixo, mas eu desconfio do lado que ele as queria ver.

Espero que na próxima oportunidade, quando o palco lhe for aberto outra vez, que haja algum jornalista que lhe peça para ele explicar melhor aquela frase sobre as mãos esticadas.

Ruanda integra imigrantes. Oxalá o bom exemplo prolifere

O MUNDO

 

Hoje que vejo noticiado, na Lusa, que, em 2018, morreram no Mediterrâneo 2262 pessoas e que mais de 113000, das que deixaram os seus países, conseguiram chegar à Europa, recordo uma informação de ontem, no programa ZOOM África, da RTP, bem interessante, sobre a integração de imigrantes num país africano, o Ruanda.

O Ruanda, sim é mesmo esse país, onde, no início dos anos noventa do século passado, aconteceu a devastação de uma etnia que ficou conhecida por o genocídio do Ruanda. Depois das convulsões, que se seguiram às atrocidades, a democracia e a economia têm crescido. As políticas para a integrar quem lhe bate à porta, têm funcionado de forma exemplar.

As pessoas que saem dos seus países à procura de sobrevivência, têm conseguido acesso a crédito para a criação dos próprios empregos ou postos de trabalho lado a lado com os nacionais, sem qualquer discriminação. Desde o ano de 2016 já foram integradas, desta forma, mais de 3000 pessoas. Parece pouco?

Importa saber que o Ruanda continua a ser um país pobre, que, em 1959, iniciou o processo para se tornar independente da Bélgica. O turismo é a principal fonte de rendimento do país. 90% da sua população vive da agricultura. O Índice de Desenvolvimento Humano é baixo (IDH 0,524 – estimativa de 2017). Tem onze milhões e meio de habitantes. Só tem fronteiras terrestes (com o Uganda, o Burundi, a República Democrática do Congo e a Tanzânia). A capital é Kigali.

O Ruanda, onde uma etnia quase dizimou outra, pode dizer-se que está a dar cartas na integração das pessoas que lá chegam à procura de melhores condições de vida. Oxalá o bom exemplo prolifere.

 

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