Por portas e travessas, enquanto se noticiam os protestos nas ruas de Hong Kong, soube-se que Macau…

INCAUTOS

 

Enquanto se noticiam os protestos nas ruas de Hong Kong, contra a possibilidade de extradição de pessoas para a República Popular da China, aqui, em Portugal, a Lusa publica que a Ordem dos Advogados (OA) está preocupada com um acordo assinado por Portugal e pela Região Administrativa e Especial de Macau (RAEM) prevendo a “Entrega de Infratores em Fuga”, que até pode ser fundamentada com base num ato praticado e que só mais tarde foi considerado crime.

O acordo em causa foi assinado no dia 15 do passado mês de maio e já foi publicado oficialmente na RAEM, embora em Portugal ainda não o tenha sido.

A possibilidade de aplicação retroativa da Lei, que a Constituição da República Portuguesa não permite, é uma das preocupações da OA.

Por portas e travessas os macaenses podem ser “entregues” a Macau, para serem julgados quem sabe lá onde, por um crime que não o era quando um ato, hoje considerado ilícito, foi praticado.

A Ordem dos Advogados mostra-se preocupada. Talvez se pudesse ter manifestado antes da assinatura do documento, mas claro, não lhe chegou essa informação…

 

 

Umas portas sempre abertas e outras a encarcerar a Democracia e a Liberdade

AS MINHAS PESSOAS

As portas estavam abertas ou só firmes nas aldrabas. Porque toda a gente era honesta ou porque das portas para dentro não havia nada a cobiçar. Enquanto outras portas, que eram fechadas e guardadas pela prepotência, encarceravam a democracia e a liberdade.

Havia, ainda, outras fechadas a sete chaves. Estas guardavam bens preciosos e davam segurança às gentes que desconfiavam daqueles que só eram donos das estradas e do ar que respiravam. Ah! Sim, estes possuíam as suas preciosas famílias, como era o caso daquele casal que iam enriquecendo na mesma proporção em que o número de filhos aumentava.

Contra as estatísticas, que enunciavam a impossibilidade de todos sobreviverem e crescerem de boa saúde, livres de acidentes e das rasteiras da vida, a riqueza manteve-se intacta. Eles cresceram saudáveis, inteligentes, amigos uns dos outros, adorados pelos pais que eram os deuses deles.

O caminho estava cheio de pedras difíceis de transpor, mas a família era uma muralha. A guerra que levava os amigos, as perseguições aos mais corajosos dos descontentes, a possibilidade de um da família não escapar à ida à guerra, tiravam-lhes o sono. Era um pavor quando ouviam, baixinho, que no sítio tal um dado jovem não voltaria. Todos morriam um pouco de tristeza.

Mesmo assim, na aldeia, havia quem se vendesse a troco nem se sabia de quê e criasse condições para o pior do regime rondar as casas e a vida das pessoas.

Quando Abril abriu as portas pesadas, de gonzos enferrujados por um bafo velho de 48 anos, a família festejou, respirou e impregnou-se do aroma da liberdade. Todos saudaram os obreiros de tamanha façanha. O tempo correu. A liberdade cimentou-se, apesar dos buracos que foram sendo abertos no caminho.

Então, eles cresceram, medraram e partiram. Fecharam aquela porta que sempre tinha estado aberta. Trabalharam, trabalharam. Estudaram e progrediram. Hoje, contra todas as previsões, não divergem. Em homenagem aos pais e em sua própria honra, todos saúdam a Democracia e quem lhe abriu as portas.

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