Esperando sentados pela vacina contra a Covid-19

Ponto de vista

Quando as vacinas são a luz ao fundo do túnel escuro que este maldito vírus nos faz percorrer, estamos a ficar impacientes, inquietos, exasperados, descontentes e fartos de sermos ultrapassados pela esquerda e pela direita, pelos prioritários legais e muito mais pelos ilegais e legais de última hora.

Foi uma das pessoas impacientes que me perguntou quando começava a segunda fase da vacinação e eu respondi-lhe que não sabia. Vendo bem, até sei. 

A segunda fase começa quando forem vacinados todos os profissionais de saúde, todos os profissionais do ensino, todas as pessoas com 80 ou mais anos, todas as pessoas com 50 ou mais anos e com doenças associadas, todos os bombeiros, todos os profissionais das forças da ordem, todos os políticos que queiram ser vacinados, todas as pessoas entre os 40 e os 60 anos (proposta de cientista ontem no Infarmed (1)) e outros que ainda reivindicarão a exceção.

Os saudáveis e bem-comportados cidadãos com mais de 65 anos e menos de 80, que sobrarem depois de tantas exceções, podem esperar sentados pela sua vez. Até porque ainda falta vacinar as pessoas da terceira fase, que será constituída por aqueles que têm 39 anos ou menos e, entretanto, podem passar a ser prioritários.

(1)

Ontem ouvi duas intervenções de cientistas na reunião do Infarmed que me irritaram um pouco, diziam mais ou menos isto, cito de memória: 

“Os internamentos hospitalares dos meses de janeiro e fevereiro foram, na sua maioria, de pessoas com idades entre os 40 e os 60 anos, portanto as pessoas deste escalão etário devem ser vacinadas”; 

“As pessoas de idades entre os 65 e os 80 anos são as que mais cumprem as regras do confinamento e sanitárias”. 

Ora aí está, cria-se mais um grupo prioritário, já que as pessoas que deviam entrar na segunda fase (idade igual ou superior a 65 anos) são muito bem-comportadas, podem esperar.

Já nem a morte os assusta

Os portugueses parecem alheadas de uma doença que está a matar pessoas às centenas todos os dias. Como tanto mudou na perceção do perigo. Há menos de um ano, quando ocorriam duas os três mortes soavam todos os alarmes. Que mais terá de ser feito para que as regras sejam respeitadas.

Mais 150 mortos, mais 150 mortos, mais 150 mortos, mais 150 mortos, mais 150 mortos por Covid-19. O som destes números diários devia matraquear as consciências, tanto daqueles que infringem as regras como daqueles que as estabelecem.

O Primeiro-Ministro foi anunciando, aos poucos, que íamos entrar em confinamento (ia ouvir os partidos políticos, ia ouvir os cientistas e mais isto e mais aquilo…) e ontem decretou maior limitação à liberdade de movimentos das pessoas. Neste intervalo de tempo quantas pessoas mais terão sido infetadas pelo SarsCov2? Muitas já terão testado positivo. Enquanto isso, quantas assintomáticas terão andado por aí a espalhar o vírus. Senhor Primeiro-Ministro, senhor Presidente da República, senhores líderes partidários, estou furiosa com todos, já que todos concordaram em aligeirar as medidas restritivas na quadra natalícia. 

O Primeiro-Ministro, na comunicação de ontem, mostrou-se agastado com a indiferença que reina entre os portugueses em relação às mortes que têm ocorrido em Portugal. Neste campo, estamos de acordo, perdem-se 150 vidas todos os dias, quando, muitas delas, podiam e deviam ser poupadas. Enquanto a Comunicação Social vai contribuindo para a banalização, noticiando com tamanha ligeireza que até parece que as pessoas já nem querem saber.

É verdade. Estou furiosa com os políticos portugueses e com as pessoas que não cumprem as regras sanitárias. Ainda estou mais irritada porque já se começa a noticiar, de “raspão”, como ouvi ontem a ministra da Saúde dizer, no seguimento da reunião com os seus pares da União Europeia, que as vacinas que deviam chegar até ao fim do primeiro trimestre estão atrasadas. Isto fez-me lembrar a compra dos ventiladores, com exigência de pré-pagamento e que foram entregues como todos nos recordamos.

Cortar onde mais dói

VIVENDO E APRENDENDO

Que grande invenção esta senhores enfermeiros. Greve cirúrgica para cortar onde dói mais,  na reposição da saúde das pessoas.

Todos sabemos que se as greves não prejudicam alguém não têm substância. Não produzem o efeito desejado. Também se sabe que a greve é um direito constitucional. Mas uma greve às cirurgias? Estrategicamente localizada? Não sentem, senhores enfermeiros, que estão a boicotar o direito das pessoas à saúde?

Eu sei que estão a ser seriamente lesados nos ordenados tanto o que decorre do exercício de funções no Serviço Nacional de Saúde (SNS) como para outras possíveis entidades. Pois greve é greve e a Lei institui a perda de vencimento. Ora veja-se o que diz a Lei:
“A greve suspende, no que respeita aos trabalhadores que a ela aderirem, as relações emergentes do contrato, nomeadamente o direito à remuneração e, em consequência, desvincula-os dos deveres de subordinação e assiduidade (n.º 1 do artigo 398.º da Lei n.º 7/2009, na sua redação atual)”.

Ah! Sim, é verdade, alguns destes profissionais têm vindo a efetuar uma recolha de fundos para fazer face aos cortes dos vencimentos de quem está a fazer greve. Se assim é só o utente do SNS é prejudicado.

Encontraram uma forma transparente e legal? (a Lei prevê a perda de vencimento). Mas transparente é com certeza, pois sei que contam publicar a lista das pessoas/entidades beneméritas que ajudam à manutenção da greve. Até quando?

 

COMAM UM OVO POR SEMANA. VÁ LÁ, COMAM OVOS. MUITOS FAZEM BEM À SAÚDE

Eu sei que a ciência está sempre a evoluir, mas houve tempo em que nos diziam que não devíamos comer mais do que um ovo por semana. Mais ovos na alimentação podiam fazer perigar a saúde. Esta recomendação, assim julgo saber, baseava-se em estudos científicos.

Hoje estou um pouco desconfiada porque outros estudos, igualmente científicos, concluem que devemos comer um ovo todos os dias. Desculpar-me-ão, mas passámos do oito para o oitenta! Antes aconselhavam 52 ovos por ano, a cada pessoa, e agora passam para 360. Não serão ovos a mais?

OVOS. gazeta do povo.com.br
Imagem: Gazetadopovo.com.br

Site no WordPress.com.

EM CIMA ↑