Marguerite Yourcenar – a minha escritora favorita de sempre

Não sei se vou conseguir expressar quanto gosto desta escritora. Quanto gosto dos seus livros. Não sei de muitas pessoas que gostem de Marguerite Yourcenar. Mas sei que Marguerite Yourcenar teve muito êxito na sua vida literária e na sua vida académica. Sei que foi, em 1981, tornada membro da Academia Francesa e que passou a ser a primeira mulher com esse privilégio.

Não sei como qualificar a sua escrita, mas uma resposta que ouvi uma vez na Feira do Livro de Lisboa, de uma responsável de uma editora a uma cliente, sobre um dado livro, ajuda-me a saber o que a sua escrita não é. Dizia aquela senhora da editora “lê-se bem …” não gostei nada da expressão. Se queria dizer o que eu entendi “que era um livro simples” então a obra de Marguerite Yourcenar, para meu consolo, não se lê bem. A escrita de Marguerite Yourcenar é forte, densa, rica.

Durante muito tempo, a minha senha de acesso aos serviços on-line era Memórias de Adriano. Era o meu livro favorito, era uma senha que eu não esqueceria. Já li muitos outros livros e gostei muito de uma grande parte deles. De alguns desses livros não gostei, mas li-os até ao fim (já vai longe essa questão de princípio). De Marguerite Yourcenar, então, não deixei mesmo nada para trás. Não deixei para trás nada da sua obra a que tive acesso.

Hoje, por um motivo que nem faz sentido, pensei em Marguerite Yourcenar. Hoje pensei “vou ler, novamente, Memórias de Adriano”. Olhei para a minha estante e não o encontrei lá. Não encontrei lá o meu livro. Também não encontrei a Obra ao Negro. Também não encontrei Arquivos do Norte. Também não encontrei Alexis. Então conclui que há mais gente a gostar de Marguerite Yourcenar.

Mas ainda lá está, na minha estante, De Olhos Abertos, que é uma obra essencial para quem queira saber mais um pouco sobre Marguerite Yourcenar. Para quem goste de saber quem foi esta escritora. Como era o seu pensamento. Como ela via a vida. Como ela se via a si própria. Como ela via o Mundo do seu tempo. Como ela via as pessoas de todos os tempos.

De Olhos Abertos, para contemplar o Mundo (assim disse o seu entrevistador) resulta de uma entrevista que a escritora concedeu ao crítico literário Matthieu Galey. Eu não comecei por este livro, mas agora, nesta nova ronda pela obra de Marguerite Yourcenar, vou começar por este e já sei que não me vou arrepender (também não tenho, por enquanto, outros). A cada pergunta que lhe foi colocada ela respondeu de forma esplendorosa (não encontro palavra melhor).

É verdade que Marguerite Yourcenar já viveu há algum tempo. Nasceu em 1903 e morreu em 1987. Mas vale sempre a pena voltar aos seus livros. Os seus livros não têm tempo.

Deixo aqui uma pequena citação de De Olhos Abertos, Mtthieu Galey perguntou a Marguerite Yourcenar “Como faz para arranjar amigos?” ela respondeu citando uma frase de Montherlant, que ela fez sua “alguém se admira por uma rapariga não ter dado nome ao gato e pergunta-lhe. Como faz para o chamar? E ela responde – não chamo, ele vem quando quer”. Bela resposta, não acham?

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Foto: Desobrigado (capa do livro De Olhos Abertos).

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