Morder a mão que alimenta

Os reclusos estavam no pátio do recreio, onde uma rede parecia separá-los da liberdade. Dois deles queriam tentar a sorte.

Eu estava a brincar com a notícia. E a achar que não devia. Tinha acabado de ler este título: “Dois reclusos capturados após tentarem fugir da prisão da Carregueira”. Procurei a entrada da peça que dizia assim: “Dois reclusos da prisão da Carregueira, no concelho da Sintra, tentaram fugir hoje à tarde, tendo um deles conseguido ultrapassar a rede do estabelecimento, mas, segundo os serviços prisionais, ambos foram capturados”.

De imediato escrevi: se tentaram é porque não conseguiram. Se não conseguiram não foram capturados. Quando li um pouco mais percebi que só um dos dois tinha conseguido saltar, mas foi logo apanhado. Porque não disseram que um tinha fugido e tinha sido logo capturado?

Mas não, não mordo a mão que me alimenta até porque o modo de dizer é da responsabilidade da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.

carregueira - mário cruz - Lusa
Imagem: Mário Cruz (Lusa)

 

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