Ora diga lá para onde foi o dinheiro?

Juro que vi um desfile onde um carro era encimado por um caixão. Francamente, quando a Covid-19 mata tanta gente. As famílias choram a sua perda. Os profissionais da área da saúde estão exaustos. Os Governantes esforçam-se para manter o País a funcionar. Então os senhores empresários não querem saber de restrições. Querem a vossa vida normal de volta. Mas não estamos todos a fazer sacrifícios?

Os protestos dos empresários da área da restauração estão a parecer-me excessivos, mais pela forma que utilizam, mas também porque alguns deles, quando colocados perante câmaras das televisões, “choram” porque o negócio desce a pique e, depois comparam com os números do negócio dos tempos homólogos, em que prosperam abundantemente. Por vezes os números são tão elevados que me pergunto se eles não estarão a abrir portas para uma fiscalização a sério por parte das entidades competentes. Apetece-me perguntar-lhes para onde foi o dinheiro dos bons tempos? Agora que todos estão em crise pressionam o erário público construído à custa de quem paga impostos.

Há uns dois dias vi uma reportagem na RTP3 (2020/11/9, 19h 25m) onde um empresário da restauração do grande Porto dizia que o seu restaurante servia umas 400 refeições diárias e que agora estava pelas ruas da amargura. Então fiz umas contas por alto. Se aquela casa vendia assim, se cobrasse oito euros, em média, por cada refeição, em 365 dias a faturação seria à volta de um milhão e cem mil euros. Empresários como este deviam “chorar” menos na praça pública. 

Eu sei que nem todos facturavam alto e acredito que muitos, hoje, estejam a passar mesmo um mau bocado para fazer face às despesas do dia-a-dia. Também sei que quando se queixam de serem tratados de formar desigual (em vosso desfavor) comparando com as grandes superfícies, que até estão no negócio da comida entregue ao domicílio, tenho de lhes dar razão.

Mesmo assim, senhores empresários, os vossos protestos têm-me parecido de algum exagero e, por vezes, a roçar a deselegância e o mau gosto. Desfilam com bandeiras brancas e um caixão encimando um carro. Francamente, quando a Covid-19 mata tanta gente. Quando as famílias choram. Os profissionais da área da saúde estão exaustos. Os senhores empresários não querem saber de restrições. Querem a vossa vida normal de volta. Mesmo que os números da pandemia cresçam, cresçam. Mas não estamos todos a fazer sacrifícios?

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