Açular os cães e fugir

COISAS TRISTES

 

Não julgo. Não sou juiz. Nem sei se ele é culpado. Mas não entristeço porque passou mais uma noite privado de liberdade. Se houve incitamento para aquela devassa. Se foi ele um dos incitadores. Então se os incitados foram encarcerados, mesmo antes de irem a julgamento, então ele não pode usufruir de mais direitos.

Se as autoridades estão no caminho certo, então ele fez como se açulasse os cães e fugisse. Assim, ele queria destruir os preciosos bens que tinha à sua guarda. Lamento o ser humano que se maltrata, se humilha e se destrói.

Trolls levam prepotência ao poder?

COISAS TRISTES

 

Trolls? Trolls? Trolls? Ah! Já sei. São aquelas criaturas antropomórficas, imaginárias, gigantes e monstruosas do folclore escandinavo. Mas também existem outras criaturas assim designadas que gostam de surfar pela internet e arrastar, por vezes, os seus amigos e seguidores para um sofrimento infundado.

Andam pelas redes sociais a plantar posts difamatórios sobre outras pessoas. São os trolls a praticar trolling. Estes, nas conversas de grupo, enfurecem as pessoas nelas envolvidas. Um troll persegue, assedia e difama outras pessoas.

Existe quem se queixe destes entes tóxicos que se infiltram nos grupos, ofendem e exasperam. Parece ser muito difícil erradica-los ou puni-los. Já tive notícia de, pelo menos uma pessoa, que foi condenada e cumpriu uma pena de prisão efetiva de algumas semanas, por ter ameaçado de morte, insistentemente, uma figura pública. É uma jovem mulher, que se deixou filmar para um documentário. Ela alegou que estava bêbada. No Reino Unido (seu país de origem) andou nas bocas do mundo. Enquanto esteve presa diz ter passado as passas do Algarve. Ela foi carrasco e tornou-se vítima.

Então agora olhemos para outros trolls que andam à solta pelas redes sociais no Brasil. Eles semeiam notícias falsas, ou melhor, publicam mentiras que iludem os incautos. Mentem aos simples. Baralham os que contam discriminar. Roubam votos às mulheres que não respeitam, aos pobres que não representam e às minorias que maltratam. Convencem estes todos que os que concorrem com eles são o diabo.

A coisa está a ficar sofisticada e poderosa. Os trolls ameaçam a democracia e a vida de seres humanos. Eles querem e vão conseguindo colocar a prepotência no poder e, para cúmulo, alguns expressam-se em português.

 

 

 

 

Milhares de crianças sem registo de nascimento

Em tempos, quando preenchia um requerimento de uma prestação social, perguntei a um pai africano a data de nascimento do seu filho. Fiquei deveras incomodada quando me respondeu que não sabia e acrescentou: “Ele nasceu quando a seara me batia aqui” . O homem indicava-me os seus joelhos. Era aquela a referência que tinha sobre a data de nascimento do filho. Mas já decorreram uns bons pares de anos!

Ontem li e reli uma notícia da Lusa onde constava uma declaração do ministro da Justiça e dos Direitos Humanos de Angola, ali ele admitia que milhares de crianças em Angola continuam sem registo de nascimento. O governante acrescentou que é objetivo do Governo “a médio prazo” inverter a situação.

Crianças tenham esperança que a médio prazo terão existência legal. Os vossos governantes têm esse objetivo.

Ontem e hoje a mesma coisa. Oxalá sejam felizes.

O parque infantil é um perigo

O parque infantil está um desastre. As crianças tropeçam nos buracos que rodeiam as abelhas, as rodas e os escorregas. Estão em perigo. Até em frente dos bancos, onde se sentam os mais velhos, há alçapões onde as pessoas deviam firmar os pés.

O parque infantil caminha para a degradação de onde foi tirado ainda há bem poucos anos. Surgiu com o piso macio, bonitos aparelhos onde os mais pequenos se divertem, bancos para quem vigia se sentar. Durante uns tempos foi acolhedor. Fica no centro da cidade de Queluz.

A manutenção anda a ser descurada. As crianças ou continuam a cair nos buracos ou vão ficar mais uns anos sem parque infantil.

Tudo se degrada. Passem por lá e vejam a miséria em que se transformou o jardim para onde abrem as portas do parque infantil.

Cada vez que por lá passo vejo a junta de freguesia mesmo ao lado e penso: será que as janelas daquele edifício não abrem?

 

Despejam qualquer um!

Nas grandes cidades de Portugal alastra uma epidemia entre as pessoas mais velhas que as habitam. As pessoas mais velhas sofrem de mais uma doença. É uma enfermidade sem tratamento. Não há medicamentos inovadores que lhe façam frente. As pessoas têm ouvido falar em nova legislação que as protegerá. A doença vai alastrando e os doentes  sofrem em silêncio e vão desaparecendo. Vão-se afastando do centro da epidemia. Hoje ouvi uma pessoa contaminada. Aqui fica o seu queixume elegante e triste, mas sem choro. Ela falava com uma quase desconhecida, como se fosse com os seus botões. Vou citá-la de cor.

“Amanhã vou embora. Hoje bateram à minha porta dois jovens. Falavam em português de estrangeiros. Eles entraram. Foram ver a minha casa. A minha casa alugada que eles compraram. Disseram-me que vão fazer umas grandes obras. Eu esperava-os. A minha senhoria tinha-me avisado. Sempre vivi em casas minhas. Quando me divorciei fiquei com uma casa, mas, por coisas da vida, tive de a vender. Passei a alugar. Desde então, tenho vivido na zona de Belém. Ali tenho feito a minha vida. A igreja está ali ao lado. O meu dinheiro tem chegado para as despesas. Mas agora tenho de ir embora desta que é a minha terra desde muito jovem. Vou viver para longe. Aqui não há casa que eu possa pagar. Hoje estou aqui para me despedir. Vou embora. Não tenho casa onde viver”.

Gostava de poder reproduzir integralmente a conversa daquela senhora. E também gostava de reproduzir o tom da sua voz. Ela falava elegantemente sem tremores. Sem lágrimas. Ela falava como se estivesse a contar uma história ligeira que lhe tivesse acontecido há muito tempo. Não sei como se aguenta. Como consegue mostrar tranquilidade. Eu tenho o coração partido. Não sei o seu nome, mas conheço-a. Não posso escrever de onde porque ela tem direito à sua privacidade. É uma afronta!

Esta mulher foi apanhada pela epidemia da venda das casas, em Lisboa, por gente que nunca será velha e, também, nunca lhe faltará dinheiro. Isto é mesmo uma doença contagiosa que alastra e apanha os mais velhos, os mais frágeis, os mais necessitados.

cleardot

Tanta Lisboa…

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