Impiedosos, atrozes, brutais, inumanos são os que apedrejam pessoas e autocarros por causa da Covid-19

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A Covid-19. Não se passa mais nada no Mundo? Perguntam alguns. Eu digo que se passa muito mais, mas, efetivamente, esta pandemia é assustadora, pavorosa, medonha, intimidante. É tudo isto. É terrível pela doença que dilacera os corpos e ceifa vidas e pela crueldade que alguns seres humanos não conseguem manter escondida onde sempre esteve à espera de se revelar.

Estamos a viver dias negros regressados da escuridão lá dos tempos da Idade Média. Vi hoje uma notícia arrasadora daqueles tempos, mostrando a pior face do ser humano. Um autocarro e as ambulâncias que transferiam utentes de um lar de idosos foram apedrejados por pessoas que são seres desumanos. Aconteceu aqui ao lado, na nossa vizinha Espanha, mas coisa idêntica sucedeu na Ucrânia quando regressavam a casa os nacionais daquele país que tinham estado aprisionados naquele navio de cruzeiros, no Japão.

Esta gente, à noite, coloca a cabeça na almofada e dorme? Possivelmente, hoje, sim. No futuro, se a humanidade lhes tiver regressado, talvez as suas consciências pesadas lhes devolvam pesadelos no lugar dos sonhos. Mas receio que estes seres não tenham consciência. Eles são desumanos.

Utentes de lar apedrejados em Espanha
Imagem: La Vanguardia

 

 

 

 

Era uma vez um menino que sobreviveu para ser feliz e para a sua mãe não carregar um peso maior sobre os ombros

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Aqui, em Portugal, a ministra da Justiça visitou, na prisão, uma mãe sem-abrigo que abandonou o filho recém-nascido nos detritos da cidade de Lisboa. Esta mesma cidade que desabriga muitos dos seus, está, de vento em popa, no negócio do turismo. Vejam bem, que li, mas deve ser notícia falsa, que até a feira da Ladra está em vias de ser despejada.

Não pensem que estou a julgar o gesto de humanidade da ministra da Justiça. Eu saúdo-o e estou feliz por não estarmos em qualquer campanha eleitoral porque, se assim fosse, até eu diria que a disputa de votos a muito obriga, mas não é o caso e ainda bem.

Sobre aquela pobre mãe é-me doloroso falar e  não tenciono ajuizar o abandono do seu filho e o seu. Sempre que a via referida, nas televisões ou em redes sociais, só me ocorria dizer, de mim para mim, coitadinha. Isto porque imaginava, só imaginava, a vida que terá sido a dela e como vai sobreviver.

Ouvi, Manuela Eanes, dizer sobre esta jovem, que não devemos atirar pedras, mas todos nós temos vistos os pedregulhos que têm ido na sua direção.

O menino, felizmente, está de boa saúde. Oxalá o seu caminho se faça ao lado de quem, sabiamente, lhe conte a sua história.

Era uma vez um menino forte, mesmo muito forte, que sobreviveu para ser feliz e para a sua mãe não carregar um  peso maior sobre os ombros…

Pessoas entaladas em quadrados de madeira

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O fotojornalista português, Mário Cruz, que está nomeado para o World Press Photo 2019, fez fotografias, que agora mostra, de pessoas que vivem nas margens do rio Pasig que está morto desde os anos de 1990 e agora é uma imensa lixeira. Lá vive gente em condições de tal modo miseráveis que só vendo se acredita. Isto acontece na capital das Filipinas, em Manila.

Ontem vi aquelas fotografias que mostram pessoas entaladas em quadrados formados por pedaços de madeira . Há uma jovem doente infetada pela imundice que a cerca. Ela precisa de oxigénio constantemente para continuar a respirar. Quantos dos que lá vegetam estão ou vão estar brevemente nas mesmas condições degradantes?

Aquele troço do rio Pasig está entulhado de lixo. Como foi possível amontuar-se ali até àquele ponto? Eu vi e li que o rio está morto. Também vi imagens do palácio do presidente do país, que se situa próximo do mesmo rio. Não me parece que lá o tenham deixado morrer.

Nas Filipinas 98,4% dos seus 100,9 milhões de habitantes são alfabetizados. O país tem 300000km2, mas muitas pessoas vivem naquele gueto, numa imundice de onde tiram o que os faz sobreviver para morrerem aos poucos.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nas Filipinas é 0,699 (2017). É este o problema das médias. Inserem os que estão lá no topo, os que estão ao meio e os que estão lá mesmo no fundo do poço. Aqueles seres humanos que vivem nas margens daquele rio morto atolados no lixo “possuem” um IDH de 0,699.

 

 

Os galgos de Macau estão a salvo

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Imaginem 532 destes animais deixados para trás no encerramento de um negócio que os explorava. Hoje estão a salvo 517 (os outros 15 morreram). Entravam num dos ramos do negócio da diversão em Macau. O Mundo adotou-os.

Enquanto não seguem viagem, estão realojados. 100 organizações internacionais ajudaram no processo. Os galgos serão acolhidos nos EUA, em Itália, no Reino Unido, na Alemanha, em Hong Kong e na Austrália.

Oxalá tenham agora mais sorte!

Cortam árvores no Cunene

O deserto de Kalahari está a perder a barreira que limitava o seu avanço. Estão a cortar árvores de forma desmedida na província do Cunene, Angola. Enquanto a região é atravessada por uma seca grave, que afeta as populações.

Quem denuncia esta situação é José Severino, presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), que pediu a intervenção da Organização das Nações Unidas, nestas questões do ambiente.

Conforme a LUSA noticia, aquele dirigente referiu que há autorização para explorar madeira no Cunene, no Cuando Cubango e continua a ver-se circular camiões carregados de toros de madeira.

E que toros! Digo eu. Como conseguem encostar uma máquina e serrar árvores assim? Vejam bem a carga dos camiões!

 

O PAN não conseguiu: continua o tiro ao voo

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Eu tinha uma boa noticia para publicar. A Lei de Orçamento de Estado para 2019 proibia o tiro ao voo. Assim tinha sido acordado entre o Partido Socialista (PS) e o partido Pessoas, Animais e Natureza (PAN). Os jornais (Público e JN) titularam: “Acaba o tiro ao pombo”. Mas quis confirmar a informação na Lei do Orçamento de Estado.

Saibam que não encontrei qualquer referência à proibição de tiro ao voo. Vi a Lei e revi. Nem queria acreditar que não estava contemplada a proibição. Resolvi fazer a pergunta a quem de direito, ao PAN, que ontem me respondeu conforme o e-mail que transcrevo: “O PAN tinha conseguido junto do Governo integrar na Proposta de Lei do OE2019 (Artigo 262.º PPL – Tiro ao voo) o fim da atividade desportiva “tiro ao voo”. O Governo entendeu que era tempo de pôr fim a mais uma atividade baseada no sofrimento animal, mas infelizmente o PCP, o PSD e o CDS uniram-se para impedir que tal acontecesse”.

Lamento que os pombos continuem a ser criados em cativeiro para, depois, serem colocados em voo e autenticamente fuzilados. Que estúpido recreio.

Então e senhores jornalistas, também se ficaram pela rama? As vossas noticias sobre a proibição de tiro ao voo são, no mínimo, meias facke news.

Calças rotas, botas cambadas, boina esfarrapada. Antero, pastor

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De calças rotas, botas cambadas, boina esfarrapada, Antero, pastor, recebe os militares da GNR que o presenteiam com um cabaz de Natal, que o ajudará a passar as festas com um pouco mais de comida. De conforto não se pode falar. No cabaz falta uma habitação para o ser humano, mas a bolsa dos militares não chega para tanto. Mas então e os políticos deste país, a Igreja, as misericórdias, os que tem dinheiro, todos nós que nos compadecemos com a miséria fora de portas, não conhecem? Não conhecemos? Estas vidas miseráveis.

Quando Antero vira as costas aos militares as câmaras da televisão entram em casa com ele e mostram, a nós e ao Mundo, a miséria em que vive este português. A televisão não emitiu outros casos assim, de tanta carência, mas sabe-se que eles estão por aí, quase sempre escondidos e esquecidos daqueles que tinham o dever legal de não deixar proliferar situações de indignidade.

Senhor Presidente da República talvez resida na sua chamada de atenção a possibilidade de pessoas como o Senhor Antero se tornarem visíveis a quem efetivamente tem o dever de não deixar portugueses viver assim em 2018.

Francamente senhor ministro da Solidariedade e Segurança Social, os olhos dos seus serviços não deviam ver estas situações que tornam os serviços públicos incompetentes e desumanos? Francamente senhores deputados eleitos pelo círculo eleitoral de Castelo Branco: Hortense Martins e Eurico Brilhante Dias do PS; Manuel Frexes e Álvaro Batista da Coligação Portugal à Frente – PPD e CDS, não deviam estar próximos dos vossos eleitores e fazer o que vos compete para que o Senhor Antero, e outras pessoas igualmente necessitadas, vivessem de uma forma mais concernente com a de seres humanos?

 

sicnoticias.sapo.pt – VEJA AQUI A RREPORTAGEM DA SIC

 

 

Não há incentivos. As vacas continuam a perder os chifres (e os touros e as cabras e os carneiros e talvez outros animais)

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Os votos confirmaram as sondagens. As vaquinhas suíças vão continuar a perder os chifres. 55% dos eleitores votantes, no referendo de ontem, responderam não à pergunta colocada.

É verdade que não perguntaram aos eleitores se eles queriam, ou não, que cortassem os chifres aos animais. A questão colocada foi se eles queriam, ou não, que o Estado pagasse subsídios a quem não cortasse os chifres aos animais. A resposta foi maioritariamente não. Eles não querem que sejam pagos subsídios.

O agricultor (Armin Capaul) que recolheu as mais de 100 000 assinaturas para o assunto ser levado a referendo, pode ter contribuído para, alguns, considerarem o referendo  interesseiro. Ele é agricultor e não corta os chifres aos seus animas.

Na Suíça continua tudo como estava. Não há incentivos. As vacas continuam a perder os chifres (e os touros e as cabras e os carneiros e talvez outros animais).

Vacas com chifres cortados ocupam menos espaço nos estábulos. A Suíça referenda subsídios para quem crie e mantenha os animais intactos

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A Lusa noticiou hoje: “vacas com chifres, símbolo da Suíça, vão a referendo”. Pareceu-me um pouco estranha esta consulta aos eleitores. Mas lendo um pouco mais, vejo que neste país só 10% das vacas têm chifres.

Sabem porque só 10% das vacas do país tem chifres? Porque os chifres das outras foram cortados. E sabem porque lhes cortaram os chifres? Porque assim elas ocupam menos espaço nos estábulos.

A história do referendo é simples, um ativista animal, agricultor e dono de vacas com chifres, resolveu recolher as 100 000 assinaturas necessárias legalmente para levar a referendo uma proposta para que o governo suíço pague subsídios a quem não lesar os animais.

O agricultor demorou 18 meses, mas conseguiu recolher 119 626 assinaturas e o assunto vai a votos no próximo domingo.

Segundo as sondagens, depois de domingo, as vaquinhas suíças correm o risco de continuar a perder os chifres.

 

Açular os cães e fugir

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Não julgo. Não sou juiz. Nem sei se ele é culpado. Mas não entristeço porque passou mais uma noite privado de liberdade. Se houve incitamento para aquela devassa. Se foi ele um dos incitadores. Então se os incitados foram encarcerados, mesmo antes de irem a julgamento, então ele não pode usufruir de mais direitos.

Se as autoridades estão no caminho certo, então ele fez como se açulasse os cães e fugisse. Assim, ele queria destruir os preciosos bens que tinha à sua guarda. Lamento o ser humano que se maltrata, se humilha e se destrói.

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