A montanha das culpas às costas

A gente do PS é exímia em atirar cascas de bananas para depois escorrer. Não sei porque os outros partidos se preocupam tanto em guerrear com quem tem maioria absoluta porque os portugueses assim quiseram. Pensam que os derrubam na Assembleia da República? Julgam que o Presidente dissolve o Parlamento? Acreditam que conseguem aprovar moções de censura? São todos os ingénuos impacientes. Talvez seja mais eficaz dar tempo ao tempo, que um dia destes as escorregadelas talvez provoquem doença grave.

Desta vez talvez nem tenha sido o caso. Talvez nem tenha havido cascas de banana no caminho. Ou, melhor dizendo, talvez as cascas tenham lá estado, mas alguém tenha apontado o dedo dizendo: “Cuidado que elas estão aí. Isto tem de ser assim para parecer que vais escorregar”.

Eu sei que não houve quem interpretasse assim e também sei que não consigo apresentar um fundamento forte. Mas pensem um pouco comigo. A decisão apresentada pelo ministro não podia deixar de ter o acordo de António Costa. Mas nos projetos das obras no Montijo parece já haver concurso ganho e a empresa estava a ser preterida em favor de um instituto português. Este e muitos mais interesses devem estar em jogo. O Primeiro-Ministro estava na cimeira da NATO. Claro que as pressões devem ter sido muitas. O Presidente também deve ter dado uma ajuda substancial para o ministro carregar a montanha das culpas. Claro que todos eles sabem que as coisas tinham de se passar assim, mas coitado do Pedro Nuno que tem de carregar com o fardo da incompetência.  

Mas, um dia destes, muito antes de ser tempo de algum deles escrever as memórias, haverá quem conte como se passou esta história. E eu quero saber.

Imagem: Agência Lusa

A malhar em ferro frio

Oh! senhor ministro Eduardo Cabrita, lá vem o agendamento potestativo, aquela figura regimental da Assembleia da República que o obriga, neste caso, a ir responder à respetiva comissão de inquérito. Pensava que tinha deixado de ser o bombo da festa? Eutambém.

O debate parlamentar sobre estado da Nação aconteceu e nada de interessante lá se passou, a não ser o Primeiro-Ministro ter estado no seu melhor e a oposição, salvo poucas exceções, ter-se mantido igual a si mesma. Sem ideias. Repetitiva e desinteressante. Gritou, “malhou” mais uma vez no ministro que, coitado, não há mal que não lhe aconteça, mesmo assim, não se justifica tamanho assédio, qualquer um, neste difícil lugar da governação não faria melhor. Naquela toada de sempre, cedo a oposição deu o debate por perdido e entregou os pontos a António Costa. Agora alguém quer uma segunda oportunidade.

Senhor ministro deixe-os. Esqueça-os até à ida ao Parlamento. Olhe, aconselho-lhe um livro de Olga Tokarczuk, escritora polaca, que estou a ler. Tem o título “Viagens”. Eu diria que se trata de um relato de viagens efetivas e de outras viagens simbólicas por diversos assuntos. Muitos são densos, mesmo muito pesados. Eu gosto de livros escritos assim. 

Existe um tema sobre uma coleção de aberrações humanas que é muito doloroso para fazer frente a insónias. Mesmo assim, não me incentiva a desistir, até porque tenho esperança de encontrar o último capítulo de um desaparecimento de uma mãe e de um filho, a que a autora vai voltando, que saíram do carro deixando o condutor ao volante. Iam só ali. Os dois caminharam, caminharam e desapareceram. Estavam de visita a uma ilha. A população e a polícia procuraram dias a fio e ainda não os encontraram. Como é hábito, o condutor que é o marido da desaparecida e o pai da criança, é o principal suspeito da polícia.

Agora leio um texto mesmo a propósito do sono que me foge. A autora refere-se à glândula pineal, no seguimento de uma história que contava sobre um homem que recorreu a uma ex-namorada, que não via há muito tempo, para o ajudar a morrer já que sofria de uma doença incapacitante, degenerativa, incurável e não encontrou quem o ajudasse a pôr fim ao sofrimento. A seguir ela lembra-se da glândula pineal, que designa de um “terceiro olho escondido”. 

Fiquei tão curiosa com este terceiro olho que fui pesquisar. Glândulas? Sei que temos muitas espalhadas pelo corpo, mas esta pareceu-me muito mais interessante. Apesar de encontrar um texto que refere que esta é muito considerada nas pseudociências. 

Olha que pena! E nas ciências a sério? Talvez seja melhor ficar por aqui. Para ser verdadeira o que despertou o meu interesse foi a escritora lhe chamar o “terceiro olho” (porque se localiza algures no cérebro?), mas não encontrei qualquer justificação para ela assim a designar. Ainda li que René Descartes acreditava que a glândula pineal seria a “principal sede da alma”, e isto já volta a ter o seu interesse. Ah! voltando às funções desta glândula: produz melatonina que modula os padrões do sono. Passou a ser a minha glândula preferida. Ela tem de saber esta informação.

Quanto à designação da autora como sendo um terceiro olho, pode ter a ver com a sua existência sob a pele de alguns peixes, répteis e anfíbios, onde recebe informações de luz diretamente. Saibam que a Wikipédia me deu uma grande ajuda https://pt.wikipedia.org/wiki/Glândula_pineal).

Imagem: Desobrigado.com

Caso Reguengos – Deslize ou jogada de mestre?

REFREGA

O político mais hábil do meu país, que há anos é Primeiro-Ministro, que chama a direita ou a esquerda em busca do equilíbrio, terá sido apanhado, por estes dias, como uma pessoa tola ou naïf deixando-se gravar, numa conversa em off, na qual terá ofendido médicos da Administração Regional de Saúde do Alentejo. A ação de propaganda lançada a partir da entrevista ao jornal Expresso pode ter levado o caçador a ser caçado.Os autores até podem pensar que o fizeram tropeçar, mas também podem ter sido iludidos. Alguém terá querido queimar o assunto Reguengos de Monsaraz? 

O Bastonário da Ordem dos Médicos protestou, disse que os médicos estavam ofendidos e aproveitou para pedir uma reunião ao Primeiro-Ministro, que foi prontamente aceite e marcada. 

O Bastonário dos médicos até já antecipou que têm de arrumar o assunto lar de Reguengos. 

Quem é que estará a marcar pontos?

A quinta do meu desconfinamento é um perigo para os incautos

PORTUGAL

Tinha de haver um senão a habitar aquele belo espaço. Não me digam que estou a ser ingrata. Eu até ponderei bem a ideia de publicar este texto, principalmente esta última parte, mas os poços destapados e o enorme tanque de rega são um perigo.

Quando aquele vírus fez adoecer meio mundo e também Portugal, as autoridades de saúde disseram para ficarmos todos em casa, não consegui encontrar escapatória e resignei-me. Foi então que o Primeiro-Ministro mostrou o seu lado sensível ou pôs em prática o seu saber fazer política e declarou que as pessoas podiam sair para fazer um passeio diariamente. Então a reclusão perdeu-me durante umas horas. Espero que António Costa tinha sido recebedor do obrigada que lhe enviei de cada vez que coloquei os pés na rua.

A abertura para o arejamento e para esticar as pernas estava instituída, mas faltava saber por onde caminhar sem ajuntamentos. Ainda não havia máscaras disponíveis no mercado e o medo era muito, mas a casa estava a ficar todos os dias um pouco mais pequena. Tinha de aproveitar a benesse. Então recordei-me de uma quinta verdejante para onde eu costumava olhar e seguir em frente. 

Pensei que era uma boa oportunidade para ir conhecer aquele espaço. Descobri deste modo a Quinta Nova de Queluz. Foi uma agradável surpresa. É bastante extensa. Cheia de árvores, arbustos e plantas mais pequenas. Tudo era verde e florido naqueles dias.

Fiquei deveras agradada e lá passei a encontrar-me com os caminhos e o verde das árvores diariamente, fugindo da monotonia e do SarsCov2 (hoje sei que, naquele tempo, lhe escapei) aproveitei a humanidade do Primeiro-Ministro e lá fui conhecendo a quinta.

Mas vejam lá que tinha de haver um senão. Nos primeiros passeios percorri estradas e veredas. Aos poucos fui tentando descobrir que árvores, que arbustos, que ervas rasteiras floridas eram aqueles que proporcionavam uma frescura repousante. Fui dando atenção a algumas construções do tempo em que a quinta fornecia legumes e frutas ao Palácio. 

À medida que me afoitava pelos recantos onde as árvores e o mato eram mais densos fui sendo surpreendida por mais algumas construções de gargalos de pedra a assomar por entre a verdura, já tinha visto umas à beira das estradas. 

À medida que me aproximava descobri que aquelas construções eram poços, alguns bem fundos. Não me parece que tenham água (testei atirando pequenas pedras lá para dentro e não me respondeu qualquer rumorejo), mas parecem-me muito perigosos para crianças e mesmo para adultos incautos.

Contei quatro daquelas construções. Duas estão à beira de caminhos e outras duas escondidas no meio do arvoredo, ladeadas de veredas por onde as pessoas passam. Parecem-me um perigo ali destapadas, tal como o enorme tanque de rega cheio de água, que fica mesmo ao lado da estrada mais larga da quinta.

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