Criaram a ilusão e iludiram-se

Olhando um placard que ainda exibe um Rio eufórico, lembrei de uma história que ouvi contar há muitos anos.

Aquele partido político que contavam ganhar as eleições do passado domingo, deixou que os seus filiados enchessem autocarros e “desaguassem” nas grandes cidades, criando a ilusão que com tanta gente ia ganhar. Tamanhas enchentes tinham forçosamente de influenciar o sentido do voto a seu favor. Mas os eleitores já desmontam melhor os truques.

A acrescentar às enchentes, o líder gritava que o seu rival direto estava cansado. Que já lhe tinha entregado os pontos. Que já tinha perdido. Que era mentiroso. Que, ao menos, podia perder com dignidade. Chegou a acreditar que a ilusão era real.

Hoje, olhando para um grande placard que ainda exibe um Rio eufórico, lembrei de uma história que aconteceu em Garvão, no Alentejo, há talvez uns oitenta anos.

Uma moradora da aldeia, que devia estar farta da pasmaceira do dia-a-dia, saiu de casa e pôs-se a gritar: “Caiu um avião na Sardoa, caiu um avião na Sardoa”, (um local afastado do centro). Ouvindo aquela gritaria as outras pessoas saíram de casa e correram para o local do suposto desastre. O centro da aldeia estava quase deserto, toda a gente caminhava na direção indicada. Até que ela, a mulher que se queria divertir um pouco, falou de si para si dizendo: “Não querem ver que caiu mesmo um avião na Sardoa! Vou ver”.

Imagem: Pixabay

Rio que corre em tempos de seca

INTERPRETANDO FOTOS

 

A colheita deste ano foi parca. O outono chegou, mas a chuva escasseia e o caudal do Rio continua tíbio. Montou-se um enigma frouxo. Cedo se percebeu que o mistério era mais uma revelação. Era quase claro que aguentaria as caneladas e até estava pronto para as retribuições.

Como já se decidiu e parece ter esperança que o outono e o inverno encham o Rio e lavem a poluição que tende a amontoar-se em períodos de seca, deixo-lhe aqui um conselho, que nem é meu, vi-o relembrado nas redes sociais e é assim:

“Você nunca vai chegar ao seu destino se parar e atirar pedras a cada cão que late” (Winston Churchill). Ele vai ser capaz?

Rio tejo
Imagem: JN

Pessoas entaladas em quadrados de madeira

COISAS TRISTES

 

O fotojornalista português, Mário Cruz, que está nomeado para o World Press Photo 2019, fez fotografias, que agora mostra, de pessoas que vivem nas margens do rio Pasig que está morto desde os anos de 1990 e agora é uma imensa lixeira. Lá vive gente em condições de tal modo miseráveis que só vendo se acredita. Isto acontece na capital das Filipinas, em Manila.

Ontem vi aquelas fotografias que mostram pessoas entaladas em quadrados formados por pedaços de madeira . Há uma jovem doente infetada pela imundice que a cerca. Ela precisa de oxigénio constantemente para continuar a respirar. Quantos dos que lá vegetam estão ou vão estar brevemente nas mesmas condições degradantes?

Aquele troço do rio Pasig está entulhado de lixo. Como foi possível amontuar-se ali até àquele ponto? Eu vi e li que o rio está morto. Também vi imagens do palácio do presidente do país, que se situa próximo do mesmo rio. Não me parece que lá o tenham deixado morrer.

Nas Filipinas 98,4% dos seus 100,9 milhões de habitantes são alfabetizados. O país tem 300000km2, mas muitas pessoas vivem naquele gueto, numa imundice de onde tiram o que os faz sobreviver para morrerem aos poucos.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nas Filipinas é 0,699 (2017). É este o problema das médias. Inserem os que estão lá no topo, os que estão ao meio e os que estão lá mesmo no fundo do poço. Aqueles seres humanos que vivem nas margens daquele rio morto atolados no lixo “possuem” um IDH de 0,699.

 

 

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