Queria votar? Tivesse ficado doente antes de 14 de janeiro

Só de 15 a 19 de janeiro podem ficar perdidos uns 448930 votos. Vejam os números diários: 15 de janeiro, 10698; 16 de janeiro, 10663; 17 de janeiro, 10385; 18 de janeiro, 6702; 19 de janeiro, 10445.  Só nestes cinco dias (de 15 a 19) ficaram infetadas 48893 pessoas. Se atribuirmos a cada uma destas pessoas dez contactos de risco, que tiveram de ficar em isolamento profilático, são 488930 votos que são perdidos. Depois somem todos os outros de 20 a 23 de janeiro e vão ver a enormidade dos números.

Ela teve dois azares juntos, fez um teste à Covid-19 que deu positivo e isso aconteceu depois do dia 14 de janeiro. Ela queria votar e devia poder exercer esse seu direito de cidadania, mas o infortúnio bateu-lhe à porta. Um breve descuido e infetou-se.

Ficou triste. Sentiu-se injustiçada. Ela não descura o usa da máscara, mantém o distanciamento entre as pessoas tal como é recomendado pelas autoridades de saúde, não almoça com os amigos, tem estado afastada dos familiares que estão fora da sua bolha. Tem feito tudo certinho na sua vida privada e no emprego. Ah, mas uma amiga vai ser mamã e ela baixou a guarda. Agora esta assintomática. Está confinada e isolada como não pode deixar de ser. 

Assimilado o impacto da notícia, assaltou-a outra preocupação. No próximo dia 24 há eleição para o próximo Presidente da República. “Como vou fazer para exercer esse meu direito, que não quero deixar para decisão de terceiros?”, pensou ela.

Ligou o correio eletrónico e “pôs mãos à obra”. Enviou e-mails para diversas entidades, nomeadamente para a Comissão Nacional de Eleições, que prontamente lhe respondeu e a informação não foi nada animadora. Para poder votar, na situação de isolamento, tinha de ter tido o seu teste positivo até ao dia 14 de janeiro. Depois desta data não há hipótese. Não vai poder exercer o seu direito de voto.

Agora pergunto eu: a máquina está montada para recolher o voto de quem está confinado, ou porque está infetado ou porque teve um contacto de risco e até já começou hoje a trabalhar. Então porque tem o motor de parar à porta dos que ficaram infetados depois do dia 14 deste mês? Sabem quem são as pessoas que estão forçosamente confinadas, porque não recolhem os votos daquelas que mostram interesse em votar? Porque não podem estas equipas funcionar até ao dia da eleição?

Ora vejam lá os votos que vão ser perdidos e que engrossarão o número da abstenção? Sabem quantas pessoas oficialmente estão infetadas desde o dia 14? Aqui ficam os números: 15 de janeiro, 10698; 16 de janeiro, 10663; 17 de janeiro, 10385; 18 de janeiro, 6702; 19 de janeiro, 10445.  Só nestes cinco dias (de 15 a 19) ficaram infetadas 48893 pessoas. Se atribuirmos a cada uma destas pessoas dez contactos de risco, que tiveram de ficar em isolamento profilático, são 488930 votos que são perdidos. Depois somem todos os outros de 20 a 23 de janeiro e vão ver a enormidade dos números.

Mesmo assim, dizem-me que não é possível responder a todos estes casos? Agora têm de dar o vosso melhor. Têm de fazer com que as pessoas exerçam o seu direito de voto. Estamos nesta situação inusual desde março do ano passado, deviam ter preparado esta eleição convenientemente. É muita gente, dirão. Então pensem nos serviços de saúde que têm de atender a sua grande maioria. Já os ouviram dizer que metade deles não tem direito a tratamento?

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